Wellington Dias diz que, ‘sem paixões’, aposta em vitória de Lula no primeiro turno

Ministro diz que campanha petista cresceu em diferentes estados e que institutos de pesquisa podem ser supreendidos pelas urnas em outubro

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Em entrevista a esta coluna, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, afirma que a campanha de Lula chega à reta final mais forte do que em 2022 e passou a trabalhar com a possibilidade de vitória no primeiro turno.

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O ministro critica o que chama de manipulação de dados por institutos de pesquisa. Ele diz acreditar que parte das pesquisas divulgadas na reta final terá de ser corrigida e afirma que o resultado das urnas poderá contrariar levantamentos publicados durante a campanha.

Dias também minimiza o impacto da crise no STF sobre a campanha petista e defende o fortalecimento das instituições. Para o ministro, cabe ao Supremo encontrar uma solução para os problemas que enfrenta.

A eleição presidencial, ao que tudo indica, será novamente bastante apertada. Há um empate técnico de intenções de voto e de rejeição. O que vai pesar mais?
Vai pesar mais a força da nossa militância, de apoiadores e simpatizantes da campanha, que é bem maior do que em 2022. E também o time de lideranças de cada estado e do Distrito Federal, os palanques de cada canto do Brasil. Na eleição de 2022, pesquisas apontavam, nas vésperas das eleições, que Lula alcançaria cerca de 37% dos votos no primeiro turno. Depois que as urnas foram abertas, foram 48,43%, bem perto da vitória no primeiro turno. Faltou 1,6 ponto percentual para vencermos no primeiro turno. E vencemos no segundo turno, também bem apertado, por pouco mais de dois milhões de votos. Basta olhar a conjuntura de 2022 e o quadro nacional para perceber que não existia eleição fácil, mas um desafio realmente gigante. E vencemos. Agora, estamos a poucos dias das eleições e pesquisas como a CNT/MDA, que bate com a que fazemos para o planejamento interno da campanha, mostram Lula com 40,5%. A intenção de votos de todos os adversários somam 44,2%. Uma diferença de apenas 3,7 pontos mais um voto para Lula vencer no primeiro turno. Se levarmos em conta apenas as intenções de votos declarados, essa diferença para a vitória no primeiro turno cai para 3,2 pontos. Apesar de divulgarem mais as pesquisas de segundo turno, nosso time passou a acreditar em vitória no primeiro turno. Entrou em campo e trabalha para convencer quem ainda não decidiu e quem não quer ir votar ou pensa em anular o voto ou votar em branco. Cada eleitor ou eleitora que já vota vai poder conquistar mais um voto.

A campanha de Lula conseguirá se distanciar da crise no STF?
Quem tem medo das eleições e das investigações? Olha o tanto de gente do lado de lá envolvida em coisa ruim. A política não pode ser meio de ficar rico. Tanta gente metida com Banco Master, crime organizado, PCC Olha aonde chegaram essas pessoas a quem o povo confiou uma posição de autoridade. A campanha é para presidente do Brasil, para o Executivo. Sob o comando do ministro Edson Fachin, o STF vai ter que encontrar o caminho para ganhar a confiança do povo e garantir a estabilidade do nosso país, independentemente de quem é governo ou oposição. As eleições passam, as instituições permanecem, e precisamos delas fortes. A preocupação do presidente Lula, do vice-presidente, Geraldo Alckmin, e das principais lideranças do nosso campo é com a estabilidade do país, com o fortalecimento das instituições. O STF precisa e vai encontrar solução para seus problemas com base no manual do povo brasileiro, que devem ser a Constituição e a lei. O presidente Lula foi claro em todos os momentos que envolveram denúncias de alguma prática criminosa: “Sendo provado que cometeu crime, a pessoa tem o direito a ampla defesa, mas paga por seu crime na forma da Constituição e da lei”. Ele não se cansa de repetir isso. Esta é a posição clara do nosso campo político para qualquer pessoa que vive no Brasil, doa a quem doer. Acima de tudo, seguimos defendendo um Brasil com forte democracia e soberano.

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Como conter o movimento do Centrão, até então neutro, em direção a Flávio Bolsonaro em meio ao agravamento da crise no Supremo?
Viajei por todas as regiões do Brasil e encontrei os apoiadores do presidente Lula mais firmes do que nunca. Em cada estado, fiz a mesma pergunta: na campanha de 2026, o presidente Lula está no mesmo patamar de 2022, diminuiu ou cresceu em perspectivas de votos? Das 27 unidades da Federação, Lula cresceu no Nordeste e no Norte, cresceu no Distrito Federal, em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul e no Paraná, em Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul. Ficou em situação semelhante a 2022 no Espírito Santo e em Santa Catarina. E bem perto do patamar em Goiás. Em Minas Gerais, segue crescendo. Em 2022, no primeiro turno, faltou 1,6 pontos para vencermos no primeiro turno. Sem paixões, é por isso que acredito em vitória no primeiro turno. E digo mais: quem é da política ou acompanha a política como eu sabe que muitos institutos de pesquisa vão ter que consertar, na última semana, o que estão divulgando, com manipulação de dados. Sabemos que alguns vão fazer isso até a penúltima semana. Ou consertam ou, então, ao abrir as urnas, muita gente vai ter que “engolir” pesquisas sem base na estatística, sem base técnica. Infelizmente, isso não é de hoje, mas piorou. Quando eu ainda era deputado federal pelo Piauí, nos anos 2000, já defendia que o TSE deveria, e deve, contar em cada eleição com profissionais de estatística e de outras áreas, selecionados das universidades federais do Brasil, para investigar as regras técnicas das pesquisas durante as eleições.

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