O cálculo de Flávio Dino para tentar pausar a crise até depois das eleições
Um dos mais empenhados defensores de Alexandre de Moraes, Dino chegou a mencionar explicitamente o fator eleitoral O ministro, um dos mais empenhados defensores de Moraes, chegou a mencionar explicitamente o fator eleitoral durante a tensa sessão desta terça
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Ao paralisar o julgamento do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre o pedido de investigação contra Alexandre de Moraes com um pedido de vista, o ministro Flávio Dino deixou clara sua intenção de tentar separar a crise da corrida eleitoral. Há, nos bastidores, muitas apostas de que ele usará o prazo de 90 dias a que tem direito para devolver os autos ao plenário — o que, se ocorrer, fará com que a discussão sobre a investigação de Moraes só seja retomada em dezembro.
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O ministro, um dos mais empenhados defensores de Moraes, chegou a mencionar explicitamente durante a sessão o fator eleitoral e a necessidade de “impedir que pressões externas”, citando novas ameaças que teriam sido feitas pelos Estados Unidos de sanções a integrantes da corte. Após a sessão, pessoas próximas a Dino evitaram dizer por quanto tempo ele pretende ficar com os autos.
“Não me importa se haverá no meu Instagram ou no meu Facebook milhares de mensagens dizendo da impunidade da corrupção. Eu tenho responsabilidade com este país”, disse o ministro, dirigindo-se ao presidente da corte, Edson Fachin. “A 15 dias de uma eleição, o tribunal se expõe a isto”, emendou Dino.
Ao deixar de computar o voto que havia proferido em favor da questão de ordem apresentada pelo ministro Gilmar Mendes, Dino travou a possibilidade — que também geraria debate — de um desempate por voto de minerva de Edson Fachin. Por mais que ele já tivesse declarado sua posição sobre a questão de ordem suscitada por Gilmar Mendes antes de pedir vista, a sessão terminou formalmente com o placar de 4 votos a 3 em favor do rito adotado por Fachin.
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A estratégia de Dino, no entanto, pode não gerar por completo o efeito desejado por ele, uma vez que outra sessão — esta para tratar das acusações de Moraes contra Mendonça — está marcada para o próximo dia 23. Até a noite desta terça-feira não havia sinais, no STF, de que Fachin deixará de realizar essa reunião. Há expectativa por mais embates.