Gargalhada, dupla no banheiro e jogo combinado: os bastidores da sessão no STF
A reunião foi marcada por bate-boca, ironias, provocações e ameaças. Houve intensos embates entre os principais personagens da guerra travada na corte
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Saidinhas de ministros do plenário, gargalhadas vindas do banheiro, provocações e reações com vozes alteradas. A sessão do STF (Supremo Tribunal Federal) destinada a julgar o pedido de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por suas ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro não chegou à discussão do mérito do pedido, feito pelo ministro André Mendonça, mas rendeu lances que ajudam a entender a gravidade do momento por que passa a corte.
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Flávio Dino e Gilmar Mendes atuaram em conjunto na defesa de Moraes. Minutos antes do pedido de vista, os dois magistrados deixaram juntos o plenário, enquanto Mendonça apresentava suas razões. Segundos antes de retornarem, uma gargalhada foi ouvida, vinda do banheiro reservado aos magistrados. O que se seguiu foi a cena em que Gilmar Mendes provoca Mendonça, dizendo que era inaceitável lançar suspeitas sobre o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Houve bate-boca. Os dois se exasperaram.
O grito de Mendonça pedindo respeito de Gilmar foi a senha para Dino agir pela interrupção do julgamento. Dino se dirigiu ao presidente da corte, Edson Fachin, alegando que a conduta adotada por ele não estava sendo suficiente para conter as discussões. “Ministro Fachin, se vossa excelência não toma uma providência, eu vou pedir vista”, justificou, sentado ao lado de Mendonça. O PlatôBR acompanhou a sessão de dentro do plenário do Supremo.
A saidinha que contou a gargalhada não foi a primeira de Dino e Gilmar ao longo da sessão. Meia hora antes, os dois ministros também foram juntos ao espaço reservado contíguo ao plenário. Àquela altura, Alexandre de Moraes defendia a anulação do julgamento com base no argumento de que o Ministério Público havia se manifestado pelo arquivamento do pedido.
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Os lances de tensão se repetiram desde o início da sessão. Sentado na ponta da poltrona, entre Dino e Moraes, André Mendonça buscou manter os olhos no monitor do computador à sua frente na maior parte do tempo, com o corpo projetado para a frente. Dino e Moraes trocavam olhares pelas costas de Mendonça, como se estivessem a aprovar os posicionamentos um do outro.