Petistas admitem impacto das acusações contra Moraes sobre a campanha de Lula

Uma pessoa da cúpula da campanha do presidente classificou as suspeitas que pesam contra Moraes como uma "tragédia política". Tamanho do estrago ainda não foi mensurado, dizem aliados de Lula

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O impacto da crise no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é inevitável, admitem petistas bem próximos ao candidato à reeleição. A leitura que se faz internamente na campanha é a de que a associação do presidente ao ministro Alexandre de Moraes é algo incontornável e que, diante disso, a reação de Lula tem sido “a possível” em um ambiente que se tornou naturalmente ruim para ambos após o passo dado na semana passada pelo ministro André Mendonça que detonou a guerra na corte.

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“É uma tragédia política ter uma figura como Alexandre de Moraes, que se tornou referência de defesa da democracia, se meter em um problema desses. É muito ruim e cai no nosso colo”, disse ao PlatôBR, sob reserva, um dos principais nomes da campanha de Lula à reeleição.

Para evitar danos maiores, Lula optou por não tomar partido explicitamente entre Moraes e Mendonça, preferindo dizer que a tarefa de resolver a crise é do presidente do STF, ministro Edson Fachin, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet — embora este último também esteja mencionado no relatório divulgado por Mendonça e venha sofrendo pressões internas no próprio Ministério Público Federal para se afastar do caso. “É o que nos resta fazer”, acrescente o integrante da cúpula da campanha.

“O fato de a gente ter defendido Moraes nos ataques da Lei Magnitsky e os elogios do presidente à atuação dele na tentativa de golpe, entre outras coisas, provocaram uma espécie de identificação entre o PT e ele. Não tem como fugir disso”, avalia um petista.

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O estrago ainda não foi totalmente mensurado. Na primeira pesquisa após a deflagração da crise, feita pelo Datafolha e divulgada na quinta-feira, 3, Lula apareceu na liderança do primeiro turno com 38%, contra 33% de Flávio Bolsonaro. O candidato do Avante, Augusto Cury, subiu de 2% para 8%. Para aliados de Lula, o clima de desconfiança da população em relação ao STF pode favorecer Cury, que vem capturando a preferência de uma parte dos eleitores que buscam um nome “antissistema”. Nesta segunda-feira, 7, a mais nova pesquisa da Quaest registrou Lula com 36%, Flávio Bolsonaro com 29% e Cury com 8% no primeiro turno. No segundo turno, Flávio aparece pela primeira vez numericamente empatado com Lula, com 41%.

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