Campanha de Lula é alertada para não transformar desfile em palanque

Com a condenação de Jair Bolsonaro no retrovisor, o presidente não discursará e ministros foram orientados a evitar cores e alegorias que remetam à campanha

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A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trabalha para blindar o desfile oficial de 7 de Setembro, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, de eventuais questionamentos de opositores na Justiça Eleitoral. Desde o início das agendas públicas, o candidato petista tem o desafio de equilibrar a agenda presidencial oficial e os atos de campanha eleitoral, com o cuidado de não misturar as duas frentes sob pena de sofrer sanções.

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A campanha petista sabe da importância de seguir à risca as orientações da área jurídico para evitar complicações como as que ornaram Jair Bolsonaro e o então candidato a vice-presidente nas eleições de 2022, Walter Braga Netto, inelegíveis por oito anos — os dois foram condenados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) por abuso de poder político e econômico por causa das comemorações do Bicentenário da Independência, quando até caças da FAB foram usados no desfile oficial.

Neste ano, o risco não está na simples presença de Lula no palanque oficial, mas na possibilidade de a condição de presidente gerar, na interpretação da Justiça Eleitoral, alguma vantagem eleitoral para o candidato. Até por isso, o petista participará da cerimônia na condição de chefe de Estado. Não há previsão de discurso nem antes nem depois do desfile. Ministros e demais integrantes do governo foram orientados a evitar roupas ou acessórios que remetam às cores da campanha petista ou ao PT. A expectativa é de uma participação protocolar, sem pedido de voto, sem crítica a adversários e sem gestos que vinculem a figura do candidato à estrutura pública mobilizada para o desfile.

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A cautela passa também por outro motivo: evitar qualquer associação ou contraste com o ato que a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) pretende mobilizar na Avenida Paulista, em São Paulo, para pressionar pelo avanço de pautas como o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), um dos protagonistas da crise que engolfa a corte. O desfile de 7 de Setembro em Brasília será realizado na Esplanada dos Ministérios.

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