Como o Planalto enxerga a crise inédita no STF — e a postura que Lula vai adotar
A ordem é dizer que se trata de uma questão "interna corporis" do Supremo, a ser resolvida pelo ministro Edson Fachin, presidente da corte. Presidente tende a silenciar para tentar se descolar de Alexandre de Moraes
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À diferença da postura ativa adotada quando escalou o ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) para tentar intermediar uma conversa entre o chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o ministro André Mendonça, desta vez o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer manter distância da guerra aberta entre o relator do caso Master no STF e o ministro Alexandre de Moraes. A crise, uma das mais graves ganhou contornos inéditos nesta terça-feira, 1º, após Mendonça tornar público um relatório da PF que escancara as ligações de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro.
De acordo com fontes do Planalto, a ordem agora é dizer que se trata de uma questão “interna corporis” do Supremo, a ser resolvida pelo ministro Edson Fachin, presidente da corte. A ideia de Lula de se afastar não significa que o governo não tenha uma preferência sobre a postura a ser adotada por Fachin. O cenário visto como ideal pelo Planalto passa por uma decisão do presidente do STF no sentido de avocar para si a condução do caso, o que, na visão de auxiliar de Lula, reduziria as chances de uso político das informações — o Planalto, agora, já vocaliza o discurso de que Mendonça, indicado para o tribunal por Jair Bolsonaro, estaria agindo de maneira enviesada. A torcida para que Fachin chame para si a condução das investigações sobre o Master é aventada também, de maneira reservada, por integrantes do próprio Judiciário que se alinham a Moraes.
Em paralelo, a campanha de Lula adotará a estratégia de tentar descolar a imagem do presidente da de Alexandre de Moraes. Integrantes do governo dizem que não haverá manifestações sobre o caso, nem mesmo por parte de ministros do governo. Não significa, porém, que outras vozes da campanha ficarão em silêncio. A ideia é dizer o tratamento que Mendonça destinou ao relatório da PF sobre Moraes não se repete na parte da investigação que envolve recursos repassados por Vorcaro para o filme Dark Horse, em negociação intermediada por Flávio Bolsonaro. Na noite desta terça, o presidente do PT, Edinho Silva já divulgou um vídeo no qual defende a retirada dos sigilos que envolvem o presidenciável do PL.
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A crise no STF — é a primeira vez que um ministro pede investigação sobre um colega envolvido em suspeitas de corrupção e tráfico de influência — também acendeu um alerta sobre os movimentos feitos por Lula para aproximar André Mendonça e Andrei Rodrigues, o diretor-geral da PF. O gesto foi considerado por auxiliares como um “erro político” do presidente. Em outra frente, aquela que envolve a relação de Lula com Moraes, pesam contra o petista as defesas que ele fez do ministro no passado recente, além do fato de o próprio Moraes ter costurado sua reaproximação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).