‘Gabinete do ódio’ e chumbo trocado: a renhida disputa em Pernambuco

Raquel Lyra, do PSD, e João Campos, do PSB, representam grupos que eram aliados até poucos anos atrás. A disputa é uma das mais quentes do país

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A disputa entre Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB) pelo governo de Pernambuco, uma das mais renhidas do país até agora, não para de escalar. Nos últimos dias, o ex-prefeito de Recife acusou a campanha da atual governadora, candidata à reeleição, de utilizar a estrutura do Estado para difamar opositores por meio de um suposto gabinete do ódio o que ela nega. Do outro lado, sem apontar para Campos diretamente, Raquel Lyra denunciou a distribuição de panfletos nos quais é acusada, sem provas, de matar o marido para se eleger em 2022. Os dois casos foram parar na Justiça Eleitoral.

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Esses são os lances mais recentes de uma rivalidade entre dois grupos regionais que já foram aliados no passado. Raquel carrega no nome a herança do clã Lyra. Ela é filha de João Lyra Neto, ex-vice-governador de Pernambuco, que chegou a assumir o governo do estado em 2014. Na ocasião, o então governador Eduardo Campos, pai de João Campos, renunciou ao cargo para disputar a Presidência da República. João, por sua vez, é também bisneto de Miguel Arraes, patriarca de uma das famílias mais influentes da política pernambucana nas últimas décadas.

A ruptura entre os clãs Campos-Arraes e Lyra ocorreu de forma gradual e ganhou tração após as eleições municipais de 2016, quando Raquel, então deputada estadual e filiada ao PSB de Campos, foi desautorizada pelo partido a disputar a prefeitura de Caruaru. A decisão fez com que ela deixasse a a legenda para concorrer pelo PSDB, sigla na qual permaneceu até 2025, quando migrou para o PSD de Gilberto Kassab.

Raquel Lyra concorreu pela primeira vez ao governo estadual em 2022. Foi eleita no segundo turno, adotando uma postura de neutralidade em relação à eleição presidencial, à época disputada entre Lula e Jair Bolsonaro. Sua vitória encerrou uma hegemonia de 16 anos do PSB no poder estadual, num processo alicerçado por Eduardo Campos.

Ao assumir o cargo de governadora, ela ainda mantinha um diálogo aberto com João Campos, então prefeito de Recife. A relação começou a azedar a partir de 2024, quando João se reelegeu na capital e o PSB passou a preparar terreno para que ele concorresse ao governo neste ano.

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João Campos tenta se eleger propagandeando que tem o apoio de Lula, mas o presidente evita se declarar abertamente a favor de um dos lados, uma vez que tem também a simpatia de Raquel Lyra. O quadro no estado é especialmente inusitado. Embora o PT esteja formalmente na coligação de João Campos, a governadora tem aliados como o ex-presidente do partido em Recife, Osmar Ricardo, que se licenciou do comando da legenda para apoiá-la.

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