A ausência que vale: o que Motta quer de Lula na campanha
O presidente da Câmara dos Deputados tenta eleger o pai para o Senado e faz um jogo curioso para evitar apoios mais explícito de Lula aos rivais diretos dele, formalmente apoiados pelo PT
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O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) tem se esforçado para se mostrar um aliado bastante próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, só que espera do petista uma postura discreta em relação campanha na Paraíba. Para Motta, o cenário ideal é que Lula não vá ao estado neste primeiro turno das eleições. O motivo: o presidente da Câmara, em campanha pela reeleição, também tenta eleger o pai, Nabor Wanderley, para o Senado, enquanto a ampla aliança costurada por Lula no estado já inclui o apoio a dois candidatos concorrentes: o ex-governador João Azevedo (PSB) e o senador Veneziano Vital do Rego (MDB). Na prática, para Motta, quanto menos Lula aparecer na Paraíba, melhor para seu pai. A ausência, portanto, já seria um enorme favor.
Veneziano tenta a reeleição para o Senado e já fez circular um vídeo que gravou com Lula. Ele é apontado como o principal adversário de Nabor Wanderley, o pai de Motta, em uma campanha repleta de acusações mútuas que busca explorar prestígio junto ao presidente. Até agora, Lula tem atendido o desejo do presidente da Câmara e não tem viagem agendada à Paraíba, ao menos por enquanto. O plano pode ser revisto a depender de como vão se desenrolar as conversas com Motta. “É mais provável que Lula não vá”, disse ao PlatôBR um integrante da campanha petista. “Pode ocorrer uma mudança de cenário e essa posição pode se modificar, mas hoje sabemos que temos um cenário complexo na Paraíba”, ressalvou a mesma fonte.
O presidente do PT, Edinho Silva, disse há uma semana, durante conversa com jornalistas, que o apoio a Nabor Wanderley é “algo a ser construído”. O apoio de Lula é um ativo importante na Paraíba. As pesquisas no estado indicam uma ampla vantagem do petista sobre seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro, do PL. Uma sondagem recente da Quaest mostrou o presidente com 50% das intenções de voto, contra 21% de Flávio.
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Mesmo sem ter o apoio formal, a estratégia de Motta e de seu entorno passa por dizer que, apesar dos apoios declarados de Lula para o Senado, os eleitores reconhecem sua família como apoiadora do petista, e que só o fato de ele não ir ao estado já é um sinal de boa vontade. Como não há vídeo de Lula apoiando seu pai, Motta tem explorado outros sinais para exibir a “boa relação” — nas redes sociais, por exemplo, publicou uma gravação do presidente elogiando seu papel na aprovação, pela Câmara, da proposta do fim da jornada 6×1, em maio. “Foi o presidente Hugo Motta que colocou para votar, diz o presidente no vídeo.