Berger, chefe de gabinete adjunto de Lula, segue no posto. Mas a situação é de alerta
Petista de longa data, Swedenberger Barbosa trabalhava com Marcola e também teve o nome enredado no caso que liga Lulinha e uma lobista a suspeitas de corrupção e tráfico de influência
compartilhe
SIGA
Em março do ano passado, Swedenberger Barbosa trocou o cargo de secretário-executivo no Ministério da Saúde por um dos postos mais próximos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Planalto, o de chefe de gabinete adjunto da Presidência da República. Ele tinha como chefe Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que comandou a antessala do presidente até pouco antes de aparecer publicamente como personagem da trama que conecta Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho de Lula, com a lobista Roberta Luchsinger em suspeitas de tráfico de influência e corrupção.
Embora seu nome também já tenha aparecido na história, Barbosa não teve o mesmo destino de Marcola: ele segue no palácio, despachando a poucos metros da sala do presidente. A situação, porém, não é tratada como 100% sob controle. De acordo com integrantes do governo, Berger, como é conhecido, foi cobrado internamente e suas explicações foram consideradas convincentes por Lula, que decidiu mantê-lo no cargo. Berger admitiu ter feito reuniões com Roberta Luchsinger a pedido de Marcola, ainda quando estava na pasta da Saúde, mas garantiu não ter atendido os pedidos da lobista.
“Ele disse que recebeu ela, mas deu garantias de que não levou nada adiante, não contratou nada, não mudou normas”, disse ao PlatôBR um interlocutor do Planalto, sob reserva. Aos olhos do governo, ao menos por enquanto a situação de Berger difere da de Marcola. Isso porque contra o ex-chefe de gabinete de Lula pesam suspeitas mais graves, de recebimento direto de vantagens indevidas, como jóias e transferências de dinheiro.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Roberta Luchsinger se movimentou junto ao governo para vender R$ 626 milhões em canabidiol ao Ministério da Saúde sem licitação, de acordo com as investigações da PF. Interlocutores de Berger dizem, em sua defesa, que ele não figura como investigado no caso e que sua participação foi na trama foi somente “receber e ouvir” os pedidos. Ainda que a decisão até aqui seja por mantê-lo no cargo, a situação não é tratada como definitiva — como nem tudo o que existe nos autos das investigações é conhecido, há no palácio quem admita que, se surgirem fatos novos, o destino do assessor, um petista histórico que já ocupou posições de destaque em outros governos de Lula, pode ser igual ao de Marcola.