Com debate eleitoral morno, dólar ainda não assusta
A corrida presidencial não tem afetado a cotação da moeda americana e uma das razões é o fato de os candidatos estarem parcimoniosos quanto às propostas para a área econômica
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Em ano de eleição presidencial no Brasil é comum que o debate sobre as medidas econômicas pretendidas pelos candidatos afete negativamente a Bolsa de Valores e encareça o dólar. Em 2026, entretanto, alguns fatores têm adiado o início desse processo. O primeiro deles é falta de debate sobre propostas concretas dos candidatos até o momento. Tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto o senador Flávio Bolsonaro estão cautelosos e não têm falado sobre ajuste fiscal ou medidas para reduzir as despesas públicas.
Outro fator que explica o dólar mais comportado tem relação com o preço do petróleo. Como o Brasil é exportador da commodity e o valor do barril está nas alturas, o fluxo da moeda estrangeira para o Brasil tem segurado a cotação. Para além disso, os investidores globais têm aversão ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o que contribui para enfraquecer o dólar globalmente.
Um experiente gestor de fundos ouvido pelo PlatôBR lembra que os movimentos cambiais em período eleitoral são fonte de pressão sobre os candidatos e que, quando não há pressão, o risco é de que a classe política se cale ou não tome as providências necessárias para ajustar o ritmo de crescimento das despesas públicas.
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Uma eventual normalização do conflito no Oriente Médio, que leve à queda do preço do petróleo, tem potencial para reduzir o fluxo cambial para o Brasil, o que tende a abrir espaço para maiores oscilações no preço da moeda americana. Com isso, a pressão no valor do dólar pode obrigar os candidatos a apresentarem suas propostas para equilibrar as finanças do governo.