Linguagem ainda é obstáculo para campanha de Lula se aproximar de evangélicos

Adversários criticam a liderança de Janja na busca pelos votos dos eleitores religiosos e lembram do desfile carnavalesco que satirizou famílias conservadoras

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Jingle gospel, viagens da primeira-dama para encontros com religiosos, menções a Deus em eventos e possibilidade de encontros com lideranças religiosas. A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem buscado se aproximar dos evangélicos usando símbolos e recorrendo a iniciativas que buscam diminuir a resistência ao PT nesse segmento do eleitorado, mas o esforço ainda não produziu resultados. Mais do que isso, há dúvidas que dividem opiniões dentro do partido sobre como aproximar o eleitor religioso de uma forma que pareça “natural”, sem permitir a impressão de que se trata de uma abordagem eleitoreira — o que gera o risco evidente de ampliar a resistência.

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A julgar pela mais recente pesquisa Quaest, divulgada nesta semana, o senador Flávio Bolsonaro (PL) se recuperou nas intenções de voto dos evangélicos, saindo de 37% em julho para 40% no início deste mês de agosto. O presidenciável do PL havia experimentado uma queda no segmento após a divulgação do vídeo em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro o acusava de tratá-la com grosseria. Nessa mesma pesquisa, Lula oscilou dois pontos percentuais para baixo, registrando 43% das intenções de voto.

A estratégia petista para melhorar a imagem de Lula junto aos evangélicos inclui a primeira-dama Janja da Silva. No lançamento da campanha, no último fim de semana, ela apresentou no palco o jingle gospel “Tapete Vermelho”, em parceria com o pastor-cantor Cleber Lucas. O esforço de Janja nas atividades da campanha voltadas ao público religioso, porém,  ainda encontra resistências. Aliados de Flávio Bolsonaro apostam que não funcionará. “É a mesma Janja e o mesmo Lula do desfile da família enlatada? Preciso falar mais?”, questionou a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) em conversa com o PlatôBR, lembrando o Carnaval deste ano, quando a escola Acadêmicos de Niterói homenageou Lula na Marquês de Sapucaí e  levou para a avenida uma ala que retratava conservadores dentro de latas, como alimentos em conserva.

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O deputado Otoni de Paula (PSD-RJ), ex-bolsonarista que muitas vezes ajudou o governo de Lula na tentativa de aproximação com os evangélicos e hoje está engajado na campanha do correligionário Ronaldo Caiado, considera que o PT ainda não acertou na estratégia. Para ele, ao tentar alcançar os eleitores religiosos a campanha de Lula erra tanto na linguagem quanto na interlocução. “Falta um conservador”, defende.

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