Aceno a evangélicos e jovens, soberania e segurança: as cartas de Lula na largada

O presidente, que tentará um quarto mandato nas eleições de outubro, começou a campanha em um ato no estádio de São Bernardo do Campo que foi palco das grandes greves que organizou no final dos anos 1970

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Ao dar a largada oficial à campanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expôs as estratégias que devem nortear sua tentativa de conquistar um quarto mandato. Em um evento com acenos a evangélicos, aos jovens e às mulheres, Lula falou da defesa da soberania diante da busca mundial por minerais raros e enfatizou a necessidade de melhorar a segurança pública, mas com críticas às ações das polícias que geralmente têm foco em comunidades mais pobres, dominadas pelo tráfico ou por milícias.

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Lula indicou que, na frente da segurança, sua campanha vai defender o sufocamento financeiro das organizações criminosas. Ele reafirmou a intenção de criar uma pasta específica para a área assim que o Senado aprovar a PEC da Segurança. Ao falar sobre soberania, o petista defendeu a criação de regras para a exploração de minerais críticos e voltou a dizer que o Brasil precisa dominar a manufatura desses recursos. “A gente não tem opção pela China ou pelos Estados Unidos. Nós queremos extrair e transformar aqui”, disse.

A largada da campanha de Lula ocorreu no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP), onde ele se notabilizou como liderança sindical nas greves do final dos anos 1970. A organização do evento buscou realçar o perfil combativo de Lula no início de sua trajetória política, com foco principalmente nos mais jovens. Lula tem experimentado alta desaprovação e menor engajamento entre eleitores de 16 a 24 anos, faixa na qual PT historicamente tem bom desempenho. O estádio, com capacidade para 15 mil pessoas, foi ocupado por lideranças do partido e por militantes, que organizaram caravanas em quase todos os estados rumo a São Paulo.

Acenos
A campanha apresentou antigos companheiros de Lula no movimento sindical, que falaram em depoimentos gravados sobre as greves organizadas pelo hoje presidente da República. O hino nacional foi cantado pela cantora Fafá de Belém, em um referência às Diretas Já, que mobilizaram o país em defesa da redemocratização. A deputada Benedita da Silva entrou no palco representando os candidatos do partido ao Senado e, ao se dirigir ao presidente, pediu bençãos sobre a campanha. Benedita é evangélica, outro segmento no qual Lula encontra dificuldades.

A primeira-dama, Janja da Silva, também discursou, em uma providência da coordenação da campanha que procurou corrigir a falta de mulheres falando no palco, algo que Lula criticou dias atrás, quando o PT oficializou sua candidatura. Pela primeira vez, Janja mencionou ao microfone a ex-primeira-dama Marisa Letícia, que morreu em fevereiro de 2017. “Ela bordou a primeira bandeira do PT e é a ela que eu dedico toda minha admiração”, disse. No grande palco montado no estádio, Janja também fez uma performance entoando em playback o jingle gospel da campanha de Lula, ao lado do pastor evangélico Kleber Lucas.

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Ao vice da chapa, Geraldo Alckmin (PSB), coube a tarefa de falar do Pix, outro assunto que a campanha vai explorar ao tratar de soberania, pontuando principalmente a ofensiva do governo de Donald Trump contra o modelo de pagamentos desenvolvido no Brasil. Alckmin fez analogias com o futebol para descontrair o discurso e apostou na vitória. “É tetra, é tetra, em defesa do nosso Pix!”, disse.

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