Da vice aos palanques: o que Flávio Bolsonaro ainda precisa resolver
Confirmado pela convenção do PL como candidato a presidente, o senador inicia a campanha presidencial com o objetivo de manter a força eleitoral da família, mas enfrenta escândalos, isolamento partidário e alta rejeição entre as mulheres
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O PL (Partido Liberal) oficializou neste sábado, 25, a candidatura de Flávio Bolsonaro (RJ) à Presidência da República. Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador foi confirmado durante a convenção nacional da sigla, em São Paulo.
A cerimônia contou com a presença do presidente da Argentina, Javier Milei, homenageado mais cedo pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com a Ordem do Ipiranga, a mais alta honraria concedida pelo Estado. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também participaram da convenção por meio de vídeos exibidos ao público.
Com a candidatura lançada, Flávio Bolsonaro entra na corrida ao Planalto com uma série de obstáculos pela frente. Principal adversário de Lula na disputa, ele resistiu aos abalos sofridos por sua pré-campanha nos últimos meses.
As revelações sobre as relações de Flávio com o dono do banco Master, Daniel Vorcaro, o vídeo de Michelle acusando-o de tê-la humilhado, e os recentes questionamentos sobre o sistema eletrônico de votação foram insuficientes para tirá-lo do segundo lugar nas pesquisas, abaixo do petista e longe dos demais pré-candidatos.
Nos próximos dias, a prioridade declarada da campanha é definir quem vai ocupar a vaga de vice na chapa. Flávio chegou à convenção isolado e sem conseguir o apoio formal de nenhuma sigla. Ele sonhava com o nome da senadora Tereza Cristina (PP-MS), mas ela não aceitou e restou ao PL se contentar com uma solução caseira. Em uma hipótese improvável, ainda é possível buscar um nome em algum partido pequeno.
As deputadas federais Bia Kicis (DF) e Júlia Zanatta (SC) aparecem como as principais candidatas à vaga de vice. Um outro nome, porém, corre por fora e tem ganhado força nos últimos dias, após a reconciliação entre Flávio e Michelle Bolsonaro: a também deputada federal Priscila Costa, pivô da crise familiar do clã no Ceará.
A parlamentar cearense passou a figurar entre as mais cotadas depois que aliados defenderam que a ex-primeira-dama tivesse a prerrogativa de indicar a vice, em um gesto interpretado como a trégua definitiva entre o enteado e a madrasta.
Rejeição
A definição da vice na chapa do PL também pode ajudar Flávio a enfrentar outro grande desafio de sua campanha: a dificuldade em conquistar o eleitorado feminino. O senador herda parte da rejeição ao sobrenome Bolsonaro entre as mulheres e, a pouco mais de três meses da eleição, não conseguiu construir uma agenda ou uma imagem para vencer essa resistência.
Nem mesmo a iniciativa Brasil por Elas, lançada ao lado de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa e que chegou a ser cotada para a vaga de vice, foi suficiente para melhorar o desempenho do senador entre as eleitoras. Até por isso, a campanha trabalha com a ideia de que a vaga de vice será ocupada por uma mulher.
Flávio também patina entre os eleitores independentes e da direita não-bolsonarista, segmentos que ainda enxergam o senador como um nome radioativo”. Aliados da ala mais moderada avaliam que os recentes ataques às urnas eletrônicas podem aprofundar o desgaste com essa faixa do eleitorado.
Isolamento
Interlocutores do presidenciável apontam que é justamente a postura radioativa de Flávio Bolsonaro que afugentou partidos do Centrão de sua base de apoio na corrida eleitoral. Os desgastes associados ao nome do senador contribuíram para afastar siglas que poderiam compor uma frente mais ampla em torno da candidatura.
A decisão do União Brasil e do Progressistas partidos que estiveram com Jair Bolsonaro em 2022 de não apoiar nenhum nome na disputa presidencial expôs as limitações da estratégia de alianças do senador e a dificuldade em construir uma base política robusta para o projeto eleitoral.
Entre aliados, a avaliação é de que o coordenador da campanha demorou a estruturar uma rede de diálogos com dirigentes partidários e lideranças regionais. O responsável por negociar os acordos eleitorais é o ex-ministro do governo Bolsonaro (Desenvolvimento Regional) e atual senador Rogério Marinho (PL-RN).
A principal crítica interna é que Flávio e Marinho concentraram energia na montagem da estratégia eleitoral e na defesa pública da candidatura, mas deixaram em segundo plano uma articulação política mais constante com presidentes de partidos e caciques do Centrão.
Palanques
Outra preocupação para a campanha está nas indefinições em alguns dos principais palanques estaduais. Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, o senador aguarda uma definição do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) sobre uma possível candidatura ao governo estadual.
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No Rio de Janeiro, principal reduto político de Flávio, o PL já desenhou a chapa com Douglas Ruas (PL) como candidato ao governo e Carlos Portinho (PL-RJ) na disputa pela reeleição ao Senado. O cenário, porém, sofreu uma sequência de turbulências: a impossibilidade de Cláudio Castro (PL) de concorrer ao Senado, a saída de Rogério Lisboa (PP) da composição como vice de Ruas e a investigação envolvendo Márcio Canella (União) na Operação Unha e Carne.