Os novos riscos da guerra no Oriente Médio e como isso afetará a economia brasileira

O colapso da trégua entre os Estados Unidos e o Irã reduz o tráfego de petroleiros no Golfo Pérsico, enquanto os Houthis ameaçam porto no Mar Vermelho e ampliam incertezas sobre a oferta de energia

Publicidade
Carregando...

O tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, que antes da guerra no Oriente Médio chegava a 140 navios por dia, despencou para apenas quatro embarcações após a interrupção da trégua entre os Estados Unidos e o Irã, que reacendeu temores sobre o fornecimento global de petróleo e gás. Diante do risco, o preço do barril fechou nesta quarta-feira, 22, a US$ 94.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

O economista-chefe do banco Pine, Cristiano Oliveira, afirma que os ataques e as restrições impostas pelo Irã reduziram esse fluxo a poucas embarcações por dia, e uma recuperação parcial observada em junho, com o tráfego superando 50 navios após um entendimento entre os países, não foi suficiente para aproximar o movimento dos níveis pré-guerra.

Com o fracasso do acordo entre o Irã e os Estados Unidos e a retomada dos ataques, o fluxo de navios despencou novamente. Na segunda-feira, 20, apenas quatro embarcações de transporte de commodities atravessaram o estreito, sem qualquer registro de grandes petroleiros ou navios de GNL (Gás Natural Liquefeito).

Segundo Oliveira, o peso econômico da rota explica a magnitude do problema. Em 2025, cerca de 21 milhões de barris diários de petróleo passaram por Ormuz, volume que representa aproximadamente um quarto de todo o comércio marítimo mundial de petróleo. O estreito também concentrou perto de um quinto do comércio global de GNL, o que tem potencial de afetar os preços de energia em todo o mundo.

A tensão, que já era suficiente para preocupar o mercado, ganhou uma nova frente com o Estreito de Bab al-Mandeb, afirmou Oliveira. Os Houthis anunciaram um bloqueio naval voltado à Arábia Saudita e ameaçaram atacar embarcações que operem em portos do país, movimento que já levou petroleiros carregados com petróleo saudita a mudar de rota.

Mar Vermelho
O caso é particularmente sensível, segundo ele, porque o terminal saudita de Yanbu, no Mar Vermelho, é uma das principais alternativas logísticas para contornar Ormuz mas, para os carregamentos destinados à Ásia, a saída do Mar Vermelho depende justamente da passagem por Bab al-Mandeb. Uma deterioração simultânea das duas rotas comprometeria essa válvula de escape: Ormuz condiciona a saída de petróleo e gás do Golfo Pérsico, enquanto Bab al-Mandeb conecta o Mar Vermelho ao Oceano Índico.

Os efeitos dessa dupla pressão, afirmou o economista, já se espalham por diferentes canais da economia global: petróleo e gás mais caros, custos maiores de frete e seguro, pressão inflacionária crescente e condições monetárias potencialmente mais restritivas, o que significa juros mais altos por mais tempo no mundo e no Brasil.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Quanto mais se prolongarem as restrições nos dois estreitos, maior o risco de um cenário combinado de inflação elevada e crescimento mais fraco. Para o governo, todo esse cenário significa adiar os planos de retirada dos subsídios para os combustíveis.

Tópicos relacionados:

reportagem

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay