O tarifaço eleitoral, a foto de Flávio com Sicário e a aprovação da ‘pauta-bomba’
Estados Unidos confirmam sobretaxas contra o Brasil, Lula tem ligeira melhora em pesquisa Genial/Quaest, pré-candidato do PL tenta explicar foto com aliado de Daniel Vorcaro e Senado vota aposentadoria especial para agentes de saúde
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Como esperado, os Estados Unidos anunciaram na quarta-feira, 15, a imposição de uma sobretaxa de 25% a produtos exportados pelo Brasil. A confirmação da sanção, que passará a valer a partir do dia 22 de julho, aconteceu mesmo depois de meses de negociações entre os dois países e de conversas entre os presidentes Lula e Donald Trump.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, deixou claro o caráter político das medidas. Pelas redes sociais, ele disse que Lula colocou o próprio ego à frente da construção de um acordo e que o Brasil não negociou de boa fé. As tarifas, segundo Rubio, seriam o preço pelas posições do petista.
Ao tentar culpar Lula pelo tarifaço, o secretário de Estado fornece munição para a campanha do pré-candidato do PL ao Planalto, Flávio Bolsonaro, que procura atribuir ao atual presidente a responsabilidade pelas sobretaxas. Essa versão se choca com o fato de que as sanções foram defendidas pela família do senador, principalmente pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que atuou junto ao governo americano pela implementação das medidas.
Vantagem para Lula
Desde o tarifaço do ano passado, Lula leva vantagem nesse debate, segundo as pesquisas eleitorais. A confirmação das sobretaxas reforça o discurso do petista pela soberania brasileira e contra a interferência do governo Trump nas eleições de outubro.
Um levantamento Genial/Quaest divulgado nesta semana mostra que Flávio voltou a perder votos por causa de suas posições em relação às sobretaxas, que atingem bens manufaturados como etanol, calçados e móveis.
Um dia antes, outra pesquisa no mesmo instituto mostrou que Lula mantém uma discreta tendência de subida nas preferências dos eleitores e uma ligeira queda de Flávio. No segundo turno, a diferença entre os dois seria de 8 pontos percentuais, fora da margem de erro.
Mas Lula aparece empatado tecnicamente com Flávio em um eventual segundo turno segundo uma pesquisa PoderData/Aya divulgada na quinta-feira, com 45% para o petista e 43% do pré-candidato do PL.
A imagem da semana
Uma foto divulgada nesta semana pelo site ICL se tornou mais um fato negativo para a campanha de Flávio. Na imagem, o senador aparece sem camisa, em um ambiente de lazer, ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, personagem do escândalo do banco Master que se suicidou nas dependências da Polícia Federal.
Sicário coordenava um grupo responsável por ações violentas e de intimidação contra pessoas que se opunham aos interesses do banqueiro Daniel Vorcaro.
Flávio teve dificuldades para explicar a foto. Primeiro, disse que não conhecia Sicário e que tira foto com muita gente. Depois, disse que a imagem seria manipulação de IA.
Para a campanha presidencial, a associação a Sicário é mais um episódio que aproxima Flávio de Vorcaro, depois da revelação dos repasses financeiros milionários do banqueiro relacionados ao filme Dark Horse.
Outro aspecto que ajuda a conturbar a campanha do senador é a boataria de que haveria outras imagens comprometedoras que poderiam ser divulgadas a qualquer momento.
A última de Alcolumbre
Antes do recesso parlamentar, que começa nesta sexta-feira, 17, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), impôs mais uma derrota a Lula com a aprovação na terça-feira, 14, da PEC que estabelece aposentadoria especial para agentes de saúde. A proposta provoca um rombo de R$ 30 bilhões em dez anos para os cofres públicos e, se promulgada, deve ser questionada no STF por não prever fontes de recursos.
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Essa é uma das “pautas-bomba” de Alcolumbre contra Lula. Depois da aprovação, o ministro Dario Durigan (Fazenda) manifestou em conversa com Alcolumbre sua preocupação com os efeitos da PEC nos gastos públicos. O presidente do Senado, segundo a jornalista Míriam Leitão, teria se comprometido a não promulgar o texto até o final do ano.