Institutos veem ‘selo de qualidade’ de Kassio como aceno ao bolsonarismo
Setor critica ideia da Justiça Eleitoral, considera medida inviável e questiona por que o debate foi aberto às vésperas da campanha
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Representantes de institutos de pesquisa viram na sugestão de Kassio Nunes Marques de criar um “selo de qualidade” para pesquisas eleitorais um aceno a uma antiga reivindicação do bolsonarismo. Nesta quarta-feira, 15, Flávio Bolsonaro foi às redes sociais comemorar a possibilidade.
A proposta ventilada por Kassio prevê a concessão de um selo, a cada quatro anos, após o segundo turno das eleições, às empresas que mais acertarem os resultados.
Nos bastidores, o setor reagiu com críticas. A medida foi classificada como “sem fundamento”, “pouco eficaz” e “absurda”.
Os institutos argumentam que há uma série de variáveis entre a realização de uma pesquisa e a votação, como fenômenos climáticos que afetam a abstenção ou fatos novos nas horas que antecedem a eleição, como a própria história eleitoral demonstra.
Também apontam dificuldades práticas para a implementação da ideia.
“Se um instituto, por exemplo, faz pesquisas em 20 estados, acerta em 12 e erra em oito, vai ganhar meio selo? Isso não vai dar certo. Só vai criar mais confusão”, afirmou, sob reserva, um representante do setor.
As empresas sustentam que já existem diferentes mecanismos para aferir a qualidade das pesquisas e que a credibilidade dos institutos deve ser avaliada pelo eleitor e pelo mercado, não pela Justiça Eleitoral.
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A principal queixa, porém, é o momento escolhido para lançar a discussão. Nos bastidores, representantes do setor questionam por que Kassio Nunes Marques decidiu colocar o tema em debate a menos de um mês do início oficial da campanha eleitoral, e não com maior antecedência.