Um ano após o primeiro tarifaço, Brasil ainda tenta responder às alegações dos EUA

Os Estados Unidos marcaram para o próximo dia 15 a entrada em vigor das novas sobretaxas a produtos brasileiros. O governo Lula corre contra o tempo para tentar evitá-las

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A imposição, pelos Estados Unidos, de tarifas mais elevadas, na ordem de 50%, sobre produtos de exportação brasileiros completa um ano nesta quinta-feira, 8, com o governo Lula ainda tentando dar respostas às justificativas apresentadas pelo governo do presidente Donald Trump para as sobretaxas. No próximo dia 15, a perspectiva é de que mais uma etapa do tarifaço entre em vigor, caso o Brasil não consiga convencer os americanos de que os argumentos apresentados não se sustentam em bases reais.

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O ministro Marcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) comanda as negociações, ao lado do ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores). Os dois tentam dar respostas técnicas a argumentos motivados por critérios ideológicos que permeiam as alegações apresentadas como “corretivas” para o Brasil.

O governo brasileiro argumenta que adota regimes jurídicos e institucionais para eliminar o trabalho forçado, refutando o argumento de que o país não combate essa prática ilegal, e contesta com dados recentes o argumento de que o país não combate o desmatamento.

O Brasil tenta se desvencilhar das reclamações relacionadas a decisões judiciais envolvendo plataformas digitais, à política de tarifas do etanol e a supostos prejuízos a empresas americanas provocados pelo Pix e ao etanol. Nesse ponto, Rosa diz que o Brasil não aceita incluir a redução da tarifa do etanol norte-americano nas negociações.

Medidas revertidas
Em um ano, o Brasil conseguiu reverter parte das medidas tomadas inicialmente, que alegavam perseguição do Judiciário brasileiro ao ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje condenado por golpe de Estado. Na época, bolsonaristas comemoraram as sanções e esperavam que o julgamento no STF fosse paralisado pela imposição dos EUA.

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O governo trabalha para que as negociações não sejam contaminadas por novos atropelos, mesmo em um ambiente político já acirrado devido às eleições de outubro, polarizada entre Lula, candidato à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente. Essa estratégia tem sido dificultada pelas ações de Flávio, que mantém boa relação com integrantes do governo Donald Trump.

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