O Mercosul e o incômodo de Lula com a ‘onda azul’ de Milei

Petista aproveita encontro de cúpula em Assunção para mandar recados sobre a divisão ideológica na região

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Ao participar nesta terça-feira, 30, da reunião de cúpula do Mercosul, em Assunção, no Paraguai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordou as diferenças ideológicas entre os governantes dos países membros. Ele defendeu que o foco do bloco precisa ser na preservação das instituições, inclusive do Mercosul, independentemente dos resultados das eleições na América do Sul. “Basta olhar o que somos hoje e o que éramos antes do Mercosul”, disse o petista.

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“O Mercosul não pode funcionar de acordo com a eleição desse ou daquele presidente. Senão, a gente nunca vai ter um bloco realmente forte funcionando”, disse o Lula. “A gente nunca vai conseguir se transformar num bloco econômico de muita vitalidade para ter tanta influência no mundo”, acrescentou.

Os recados de Lula foram para os membros do bloco, hoje a maior parte com perfil de direita, mas principalmente para a Argentina e o presidente Javier Milei, que faltou ao encontro organizado pelo Paraguai. Na véspera, Milei recebeu em Buenos Aires o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL), que concorrerá com Lula em outubro. Em vídeo divulgado nesta terça-feira, o filho de Jair Bolsonaro diz que a “onda azul” chegará ao Brasil, em referência à ascensão de governos de direita na região, como a de Abelardo de la Espriella, na Colômbia, e Keiko Fujimori, no Peru.

Estados Unidos
No momento, prevalece um clima de desconforto no bloco em relação à Argentina. Recentemente, o país presidido por Milei assinou um acordo comercial com os Estados Unidos. As normas do Mercosul proíbem os integrantes de negociarem acordos de livre comércio individualmente com outros países, embora permitam entendimentos que não envolvam tarifas e que facilitem as trocas comerciais.

Sem citar o presidente norte-americano, Donald Trump, Lula fez críticas indiretas à postura que ele considera intervencionista na América Latina. O petista mencionou a questão da segurança pública e as propostas de integração que o Brasil tem desenvolvido dentro do bloco.

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“Ninguém é dono do mundo e ninguém é dono da América do Sul. Nenhum país da América do Sul ganhará mais liberdade de ação por meio de alinhamentos automáticos e escolhas excludentes. Nossa força estará na capacidade de dialogar com todos sem deixar de lado nossos interesses”, afirmou Lula. 

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