Como a reforma tributária contribuirá para a formalização empresarial
Estudo do economista Constantin Jancsó, do Bradesco, afirma que lógica de créditos tributários do novo IVA (Imposto sobre Valor Agregado) cria um mecanismo de pressão para que pequenas empresas saiam da informalidade, o que deve se propagar por toda a cadeia produtiva
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A reforma tributária brasileira vai reduzir a informalidade na economia e pode gerar ganhos de PIB entre 5% e 20% ao longo de 15 anos e os custos de conformidade, que hoje chegam a 5,8% do faturamento para pequenas empresas, devem cair mais de 60% após a implementação plena.
É o que estudo realizado pelo economista Constantin Jancsó, do Bradesco, que avalia como a lógica de créditos tributários do novo IVA (Imposto sobre Valor Agregado) cria um mecanismo de pressão pela formalização empresarial que deve se propagar por toda a cadeia produtiva.
O argumento central do estudo é que, no novo sistema tributário do país, uma empresa só recupera o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) pagos sobre os insumos se os fornecedores emitirem nota fiscal. Isso deve criar, segundo Jancsó, um incentivo financeiro direto para que compradores exijam documentação e para que fornecedores formalizem suas operações sob pena de perderem clientes para concorrentes que gerem créditos.
A experiência chilena e peruana confirma o mecanismo: no Peru, a adoção obrigatória da nota fiscal eletrônica do IVA aumentou as vendas declaradas em 7,4% já no primeiro ano, com efeitos concentrados em pequenas empresas e setores de alta informalidade, apontou o estudo do Bradesco.
O economista ainda destaca que o Simples Nacional com mais de 22 milhões de CNPJs está no centro dessa dinâmica. Como empresas nesse regime não geram créditos plenos de IBS e CBS para seus clientes, elas passarão a enfrentar desvantagem competitiva crescente nas cadeias produtivas nas vendas para outras empresas a partir de 2027, quando a CBS sobe para 8,8%.
Janela de opção
Muitas poderão concluir que migrar para o regime regular vale mais do que manter a simplicidade contábil do Simples. O prazo para essa decisão estratégica é setembro de 2026, quando vence a janela de opção de mudança do regime tributário.
O estudo também alerta para riscos no curto prazo: mais de um terço das empresas da construção civil ainda relatam baixo nível ou nenhuma preparação para a reforma, segundo pesquisa da FGV (Fundação Getulio Vargas).
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O mecanismo de split payment que redirecionará automaticamente a parcela tributária ao governo no momento do pagamento das notas fiscais entra em vigor em 2027 e exige adaptação de sistemas, contratos e gestão de capital de giro. Para setores intermediários como agências de viagens, corretores de seguros e agregadores logísticos, regras sobre o fluxo de créditos ainda estão em elaboração, mantendo incerteza operacional relevante.