‘Tarifaço 2.0’: o que embasou a reação de Lula ao anúncio dos EUA
Rejeição a Trump, descrença em solução para a violência e medo de ataques foram detectados pelo governo e ajudaram na construção do discurso
compartilhe
SIGA
A resposta do governo e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao anúncio feito pelo Departamento de Estado dos EUA de classificação das facções PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como terroristas demorou mais de 12 horas para ser produzida. Entre os integrantes da equipe que participaram das conversas estavam os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Miriam Belchior (Casa Civil) e Sidônio Palmeira (Secom).
Os argumentos apresentados nas discussões levaram em consideração medições obtidas em pesquisas qualitativas feitas pela comunicação do Palácio do Planalto. Com esses dados, Lula e o grupo de auxiliares optaram por um discurso “desafiador” à pré-candidatura ao Planalto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A avaliação foi de que, ao longo do tempo, a notícia hoje comemorada pelos bolsonaristas poderia produzir “o efeito de um tarifaço 2.0″, como definiu um auxiliar do Planalto.
Essa é uma referência ao embate travado no ano passado entre o Brasil e os EUA em torno do aumento das taxas para produtos brasileiros imposto por Trump. Embora no primeiro momento o governo brasileiro tenha se desgastado com a decisão dos americanos, a popularidade de Lula subiu por causa desse episódio.
As medições feitas nas últimas semanas mostraram dois pontos que, combinados, abrem espaço para a defesa da soberania nacional. O primeiro ponto é que a população está em pânico com a questão da violência, que representa a maior preocupação nessas eleições. No entanto, o eleitor não acredita que uma intervenção americana em território brasileiro seja a solução para o problema.
Oriente Médio e Venezuela
O segundo ponto é que há o temor de que o Brasil também possa ser alvo de agressões, após as atrocidades das guerras eclodidas nos últimos anos no Oriente Médio, com a participação dos Estados Unidos, e de ataques pontuais contra países como a Venezuela.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Embora a segurança pública seja a principal preocupação da população, parte da sociedade resiste a acreditar em qualquer solução, sejam as de adesão fácil ou até em programas do governo, segundo as avaliações do Planalto. Além disso, o medo de que bombas caiam no vizinho, nas comunidades e em escolas também foi detectado pelo governo. Some-se a tudo isso a ideia presente nas pesquisas qualitativas de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que se encontrou com Lula e com Flávio, não é admirado pela maioria dos brasileiros.