Fim da 6×1: como o governo quer tirar da oposição o discurso de defesa da família

Redução da jornada será trunfo da campanha de Lula à reeleição. Relatório apresentado nesta semana incorpora propostas do governo que liberam os trabalhadores para passar mais tempo com os filhos

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A base parlamentar governista e o próprio presidente Lula têm usado o discurso de defesa da família, uma bandeira da direita, para defender a aprovação da redução da jornada de trabalho. Enquanto a oposição foca em premissas morais, a campanha petista planeja abordar prioritariamente os benefícios do fim da escala 6×1 para as famílias, como a ampliação do tempo de folga dos brasileiros.

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Com essa estratégia, o Planalto procura criar um clima na Câmara que seja, pelo menos, próximo do que ocorreu com a aprovação unânime da isenção do IR (imposto de renda) para pessoas que ganham menos até R$ 5 mil. O governo pretende, assim, provocar uma situação de constrangimento para quem quiser dizer “não” à proposta.

É com esse viés que o fim da escala 6×1 deve ser tratado na campanha de Lula à reeleição. O petista tem defendido em seus discursos que a jornada atual impede o descanso adequado e afasta mães e pais de seus filhos. Seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tentou emplacar a ideia de que o salário precisa ser calculado com base nas horas trabalhadas e que o trabalhador tenha condições de escolher o quanto quer ganhar e o quanto quer trabalhar. A ideia, no entanto, não prosperou na Câmara. Ela sequer foi formalizada.

Nesta segunda-feira, 25, Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), acertaram detalhes do texto que será votado nesta semana. O relator da PEC, deputado Leo Prates (Republicanos-PB), incorporou o conceito de defesa da família em seu relatório.

Pedido de vista
“Duração do trabalho em benefício da família, que deve ser elemento fundamental das políticas de redução de jornada e a conciliação do tempo de trabalho com o tempo para o cuidado com os filhos, os idosos e com as obrigações domésticas e familiares”, diz o texto, apresentado nesta segunda-feira, 25, na comissão especial que analisa o tema.

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Um pedido de vista apresentado pelo deputado Mauricio Marcon (PL-RS) adiou a votação do parecer na comissão. O presidente do colegiado, Alencar Santana (PT-SP) concedeu vista coletiva por 48 horas, mas mesmo assim a ideia de Motta é colocar a proposta em votação na quarta-feira em plenário.

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