As vacinas que Nunes Marques aplicará contra a política de quem o indicou
Novo presidente do TSE defende as urnas eletrônicas, questionada pelos bolsonaristas, e o combate à propagação de conteúdos falsos
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Na presidência do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o ministro Nunes Marques planeja aplicar “vacinas” para evitar conflitos provocados justamente pelo campo político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que o indicou para a corte. A defesa das urnas eletrônicas, que teve sua credibilidade questionada pelo bolsonarismo, e o combate à propagação de conteúdos falsos por meio da inteligência artificial nas redes sociais estão entre as prioridades do ministro.
No discurso de posse, na noite desta terça-feira, 12, Nunes Marques defendeu as urnas eletrônicas e a centralidade do voto como instrumento de preservação da democracia. “O sistema eletrônico de votação brasileiro constitui patrimônio institucional da nossa democracia”. Ele destacou que o “futuro da nossa democracia não será delineado por máquinas”, mas pelos brasileiros que depositam nas urnas sua “mensagem de esperança, traduzida no voto direto, secreto, universal e periódico”.
Na vice-presidência do TSE, assumiu o ministro André Mendonça, também indicado por por Bolsonaro. A cerimônia marcou a sucessão de Cármen Lúcia e reuniu autoridades como o presidente Lula, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ministros do STF e pré-candidatos ao Planalto. Ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro também esteve na posse dos dois ministros escolhidos no governo no marido.
Na presença dos chefes dos três poderes, o novo presidente do TSE apontou a inteligência artificial como um dos principais desafios do próximo ciclo eleitoral, ao advertir para os riscos da desinformação e da manipulação do debate público. Segundo ele, caberá à Justiça Eleitoral atuar com independência, equilíbrio e prudência para garantir eleições limpas e transparentes, sem omissão diante de ameaças ao processo democrático.
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O sentimento entre os colegas no TSE é de otimismo em relação à gestão do novo presidente do tribunal. “Ele é um ministro aberto ao diálogo e preocupado com fazer as eleições transcorrerem tranquilamente”, disse, sob reserva, ao PlatôBR um membro do TSE. O novo presidente já deixou uma impressão “positiva” no diálogo com os demais membros do tribunal ao relatar as resoluções para eleições deste ano. “Ele demonstrou inclinação para a colegialidade”, disse um ministro.