Conselho de Ética: a tardia e incerta punição dos bolsonaristas que fizeram motim
Os deputados têm cinco dias para apresentar recurso à CCJ. Após essa fase, o parecer segue para a votação em plenário, que dará a palavra final
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Após 10 meses do episódio da ocupação da mesa diretora, o Conselho de Ética da Câmara votou pela suspensão por dois meses dos mandatos dos deputados Marcos Pollon (PL-MS), Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC). Em agosto de 2025, eles participaram do motim que impediu que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), assumisse o controle do plenário. Os deputados têm cinco dias para apresentar recurso à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).
Após essa fase, o parecer segue para a votação em plenário, que dará a palavra final. Para suspender o mandato dos parlamentares, é preciso que o parecer do conselho seja aprovado por maioria absoluta (257 deputados). O protesto tinha o objetivo de obrigar Motta a pautar, na época, o projeto de lei que previa anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e demais envolvidos na tentativa de golpe de Estado.
Na reunião do conselho, Zé Trovão chorou dizendo que sentia pelos seus funcionários que ficaria sem emprego. Ele ainda afirmou que se sentia no “dia em que crucificaram Jesus”. Van Hattem alegou se tratava de uma sessão virtual e isso estaria atrapalhando sua defesa. “Nós não encontramos os deputados aqui para pedirmos os votos dos colegas”,
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O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) defendeu que a punição deveria seguir o mesmo critério aplicado ao deputado Glauber Braga (PSOL-RJ). Glauber foi suspenso por seis meses por 318 votos a 141, acusado de quebra de decoro, por ter agredido um militante do MBL (Movimento Brasil Livre) em abril de 2024. Ele também ocupou a mesa diretora e foi retirado à força por ordem de Motta, em protesto contra seu processo de cassação. “Se valeu para o Glauber, tem que valer para os outros”, disse Alencar.