A preocupação de aliados e as incertezas que assombram a campanha de Flávio Bolsonaro
Cenários indefinido em dois dos principais colégios eleitorais se unem à exposição crescente de Zema dentro do eleitorado da direita
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O crescimento da exposição de Romeu Zema (Novo) após embates com o STF, além das dificuldades partidárias em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, aliados de Flávio Bolsonaro (PL) temem um possível impacto na campanha presidencial. Ao abraçar uma das principais bandeiras do bolsonarismo, Zema tenta cativar eleitores mais radicais e, de forma paralela, se soma às indefinições de palanques em dois dos três maiores colégios eleitorais do país, o que pode refletir nas próximas pesquisas eleitorais.
Parte do PL mantém o foco em ter Romeu Zema como vice na chapa presidencial de Flávio. A incerteza, contudo, adia a definição de palanque do filho de Jair Bolsonaro em Minas Gerais. Sem declarar apoio a algum presidenciável, Cleitinho Azevedo (Republicanos) segue na liderança para o governo do estado.
O PL mineiro está dividido entre a ala liderada por Nikolas Ferreira, que defende apoio ao atual governador, Matheus Simões (PSD), e o grupo que tenta manter abertas as possibilidades, seja com candidatura própria ou com alianças diferentes. Nicolas tem musculatura eleitoral e influência nas decisões regionais do partido, embora seja alvo constante de críticas de Eduardo e Carlos Bolsonaro. O deputado sinaliza apoio ao então vice de Zema. Flávio, por sua vez, prefere manter o deputado por perto, mas evita dar a palavra final até que o cenário nacional seja definido.
No Rio de Janeiro, a pré-candidatura de Douglas Ruas (PL) ao governo também não deslanchou. Principal adversário no estado que é o berço do bolsonarismo, Eduardo Paes (PSD) lidera com folga a disputa. Flávio trabalha para que o deputado assuma o mandato-tampão do estado, que está sem mandatário desde a renúncia de Cláudio Castro (PL). O cargo garantiria visibilidade a Douglas, o que aumentaria a competitividade do aliado.
O cenário, contudo, depende do STF, que suspendeu o julgamento sobre o futuro político do estado desde o pedido de vista de Flávio Dino. “O Rio de Janeiro não merece isso”, declarou o filho de Jair Bolsonaro nas redes sociais ao cobrar posicionamento de Edson Fachin, presidente do Supremo.
Flávio aposta as fichas na eleição indireta, com a participação dos deputados da Alerj (Assembleia Legislativa), onde a direita mantém maioria. O grupo de Paes tenta minar os planos bolsonaristas, como a recente ação que questionou a vitória de Douglas Ruas para o comando da Alerj. Uma das alegações é de que bancadas da oposição deixaram de participar da votação.
Líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ) minimiza a preocupação dos correligionários e desconsidera que os cenários sejam ameaças para a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. “Alguém tem alguma dúvida que o Flávio estará no segundo turno? Lógico que não. E todos estarão juntos com o Flávio”, prevê.
Cenário favorável
Principal colégio eleitoral do Brasil, São Paulo é onde o cenário segue favorável à candidatura de Flávio Bolsonaro. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que disputará a reeleição, mantém a liderança com folga sobre o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), segundo recentes pesquisas. Além disso, Tarcísio tem ampla aprovação dos paulistas, enquanto o governo do presidente Lula (PT) enfrenta maior resistência, com mais da metade da população do estado.
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O bom desempenho alçou Tarcísio de Freitas como o preferido de parte da direita para a disputa ao Planalto. Contudo, o governador preferiu apoiar a decisão de Jair Bolsonaro pelo protagonismo do primogênito. Recentemente, Flávio afagou o aliado sobre a possibilidade de apoiá-lo algum dia a ocupar a principal cadeira da Praça dos Três Poderes, em Brasília. “Eu não teria alguém melhor para caminhar ao lado em São Paulo do que o Tarcísio. Uma pessoa que tem plena capacidade de ser presidente desse Brasil e se Deus quiser, ainda vai ser um dia”, declarou enquanto cumpria agenda na 31ª Agrishow 2026, em Ribeirão Preto, ao lado do governador paulista.