Amigo de Lula: a função de Paulo Okamotto na pré-campanha da reeleição
Ex-presidente da Fundação Perseu Abramo está com a responsabilidade de organizar as redes sociais do PT, terreno árido para a esquerda
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Um dos pontos nevrálgicos da estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2022 foi a questão das redes sociais, um terreno árido para uma equipe de campanha formada por políticos nascidos em um tempo analógico. Mesmo assim, neste ano, a comunicação nas redes será comandada, pelo menos nessa fase de pré-campanha, por um membro da “velha-guarda” petista: o empresário Paulo Okamotto, amigo de Lula, ex-metalúrgico e ex-sindicalista do ABC que, até o final do ano passado, estava na presidência da Fundação Perseu Abramo e agora está no grupo de trabalho encarregado de fazer o engajamento da militância na internet.
Para Okamotto, o problema do alcance das redes de Lula já foi resolvido. Hoje a presença do presidente nas redes é maior do que de todos os pré-candidatos já colocados para a disputa. No entendimento de Okamotto, é preciso fazer todos os atores dessa cena “falar a mesma língua”. Nesse sentido, ele tem trabalhado na produção de conteúdos para abastecer as redes que são distribuídos por meio de canais do WhatsApp. Trata-se da rede “Pode Espalhar” que está sendo montada pelo PT nesta fase pré-eleitoral.
“É uma metodologia da qual participam vários atores, várias instituições, trabalhando na produção de conteúdo. As pessoas podem usar esse material para colocar nas suas redes. Tentamos organizar assim os dirigentes do partido, os nossos filiados, dirigentes sindicais e com isso a gente tem uma malha de fazer uma atuação de forma mais mais orgânica. Esses conteúdos vão por WhatsApp mas são produzidos para o Instagram, Facebook, TikTok, entre outras”, explicou Okamotto em entrevista para o PlatôBR. “A gente produz o material de acordo com as redes, de acordo com o momento”, acrescentou.
Okamotto acredita que ficou para trás o tempo em que a esquerda não sabia atuar nas redes sociais. Ao falar do modo de fazer política, ele defende a ideia de que “uma coisa não exclui a outra”, ou seja, as várias formas de comunicação se complementam e a rede social faz parte desse universo, com suas características próprias. “Acho que a esquerda pegou o jeito de trabalhar as redes. É que a esquerda tenta trabalhar em novos valores, em uma visão de uma sociedade mais justa. É uma coisa mais difícil, porque nós temos uma sociedade onde as pessoas são individualistas, e são criadas para ser consumidores e não para serem cidadãs. Nesse mundo bem restrito, construir uma proposta coletiva é difícil, é bem mais complexo”, acrescentou o petista.
Ele lista nomes que aprenderam a usar as redes em um ritmo que atende à necessidade de alcance por meio do algoritmo e aponta entre elas o vice-líder do governo na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), o ex-ministro da Secom (Secretaria de Comunicação) da Presidência da República, deputado Paulo Pimenta, a deputada Maria do Rosário (PT-RS), além do ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) e do deputado Helder Salomão (PT-ES)
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“Estão todos ligados no lance e todo mundo vai ter que atuar de uma forma mais organizada. E se tiver que dar pau, vamos ter que dar pau, se tiver que realizar, vamos ter que realizar. Nós vamos para a disputa usando todo o nosso potencial, que não é pequeno”, disse.