BC em alerta: risco de ‘Super El Niño’ pode pressionar mais a inflação no Brasil
Caso o fenômeno climático extremo se confirme, as lavouras brasileiras serão afetadas por uma forte seca no Nordeste e por chuvas intensas no Sul
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A guerra no Oriente Médio pode não ser a única fonte de pressões inflacionárias no Brasil a partir do segundo trimestre. Dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, órgão climático do governo dos Estados Unidos, mostram que o padrão de aquecimento do oceano Pacífico neste ano se assemelha ao observado antes de episódios classificados como “Super El Niño”.
Caso isso ocorra, as lavouras brasileiras serão afetadas por uma seca extrema, sobretudo no Norte e no Nordeste, o que afetará a safra de grãos dos estados do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). No Sul, o risco é de chuvas intensas que podem atrapalhar a colheita do trigo.
Por enquanto, os modelos do órgão americano indicam um El Niño de intensidade moderada, mas os dados têm sido monitorados por técnicos do Banco Central e do Ministério da Agricultura. No cenário global, segundo o relatório Monitor Agro do Bradesco, é esperado que o sudoeste asiático e a Austrália registrem temperaturas mais elevadas e menor volume de chuvas, o que pressionará as safras globais de arroz, trigo, canadeaçúcar e café, além das pastagens, o que pode afetar o preço da carne, com repercussões também no Brasil. .
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O preço dos alimentos já tem sido afetado pelo encarecimento dos fertilizantes, que não têm sido escoados pelo mundo diante do fechamento do Estreito de Ormuz. Todos esse choques de oferta tendem a adicionar ainda mais pressão para que o BC diminua o ciclo de corte de juros ou até mesmo seja obrigado a encerrar abruptamente o processo queda da Selic.