De rivais a aliados: ex-governadores selam a ‘paz’ de olho no eleitorado brasiliense

Distantes desde 2006, Abadia e Arruda anunciaram reaproximação após a ex-tucana confirmar filiação à sigla que abriga ex-desafeto

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Desafetos antigos na política do Distrito Federal, os ex-governadores José Roberto Arruda e Maria de Lourdes Abadia anunciaram reaproximação com vistas às eleições de outubro deste ano. A trégua ocorre após a ex-tucana confirmar filiação ao PSD, sigla pela qual Arruda pretende disputar a retomada do comando do Palácio do Buriti. A investida ocorre quase 17 anos após ele ter sido tragado pela Operação Caixa de Pandora, um dos maiores escândalos de corrupção do país e tornou Arruda o primeiro governador do Brasil preso durante o exercício do mandato.

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Com várias condenações em ações penais e de improbidade administrativa, Arruda tenta voltar ao Palácio do Buriti pela porta da frente. A expectativa do político se ancora na nova redação da Lei da Ficha Limpa, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O texto fixou em oito anos o limite máximo de inelegibilidade para políticos condenados por atos registrados durante a gestão no Executivo, prazo contado a partir do dia da condenação ou da renúncia do político.

Arruda investe na interpretação literal da lei, mas há entendimentos que o prazo começa a contar a partir de novas condenações, o que ocorreu com o ex-governador. Em novembro de 2025, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) manteve a inelegibilidade de Arruda por 8 anos, além do pagamento de cerca de R$ 559 milhões de multa em mais um desdobramento da Caixa de Pandora.

Enquanto aguarda a palavra final do TSE, Arruda se movimenta para se viabilizar como o principal adversário de Celina Leão (PP), que assumirá o Buriti no próximo dia 28 com a renúncia de Ibaneis Rocha (MDB) para disputar o Senado. Sem a máquina na mão, Arruda tenta atrair lideranças para o projeto, até mesmo as menos improváveis. Com a renúncia de Joaquim Roriz de 2006, que concorreu ao Senado, a então vice-governadora recebeu a faixa para comandar o DF e disputar a reeleição.

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Abadia perdeu a eleição para Arruda ainda no primeiro turno após testemunhar traições de então aliados do primeiro escalão que passaram para o lado do adversário. Desde então, ela amargou seguidas derrotas, e atribuía parte disso ao desafeto. Em outubro deste ano, ela deve tentar se eleger deputada federal.

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