Mote de campanha: os objetivos do PT ao se apresentar como um partido ‘antissistema’
Mesmo com mais de 16 anos dos petistas no poder federal neste século, o presidente da sigla, Edinho Silva, faz discurso pela "mudança" como forma de se contrapor aos adversários e ao mercado financeiro
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O presidente nacional do PT, Edinho Silva, tem defendido a tese de que o partido precisa se apresentar como “antissistema” para as eleições deste ano, como forma de mobilizar a militância na defesa da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a um quarto mandato. Em vídeo publicado em seu perfil no Instagram, Edinho disse que o PT tem que ser o partido “antissistema”, mesmo no exercício do poder.
“O PT é o partido da mudança e nós vamos continuar lutando. E o PT tem que ser o partido ‘antissistema’ e o partido da mudança. […] E a gente não pode ficar acuado nem na rua e nem nas redes. […] Nós vamos continuar lutando para que a gente transforme o Brasil, disse Edinho na gravação.
O discurso soa contraditório para a sigla, que soma cinco eleições para presidente e mais de 16 anos no poder federal, além das experiências nos governos estaduais e municipais e da forte influência no Congresso. Fácil, portanto, o PT ser identificado como “sistema”.
As palavras de Edinho têm razões, sobretudo, eleitorais. Para militantes e dirigentes, são orientações a serem seguidas na campanha. As mensagens indicam um caminho para o partido se contrapor ao escândalo do INSS e, principalmente, ao do banco Master, que arrastou políticos de várias correntes para uma zona de suspeita de complô com o setor financeiro, conforme as investigações.
As entrelinhas do discurso antecipam um mote da campanha eleitoral: o “sistema” seria uma possível aliança entre os adversários e o mercado financeiro. Em fevereiro, na comemoração de 46 anos da sigla, em Salvador, Edinho já havia dito que o partido queria se apresentar como “antissistema” nas eleições e mencionou a existência de um sentimento nessa direção na população, decepcionada com a democracia representativa.
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Na Mira do PT está o senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato ao Planalto pelo PL e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele procura se apresentar como um político mais moderado do que pai e busca ampliar apoios no setor produtivo e na Faria Lima. A declaração de Edinho também tem como endereço o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que deve disputar a reeleição, mas é o nome preferido do Centrão, também parte do “sistema”, e do setor financeiro para a Presidência da República.