Guerra no Oriente Médio faz Copom tratar de corte de juros de modo mais cauteloso

O conflito encareceu o petróleo no mundo e o preço dos combustíveis e do dólar no Brasil, com uma forte pressão inflacionária. No mercado, quem apostava em uma redução de 0,5 ponto percentual já admite a possibilidade de um corte menor

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O Copom (Comitê de Política Monetária) se reunirá nesta quarta-feira, 18, com o peso de fatores que, até recentemente, não estavam no cenário, desenhado até então com um horizonte seguro de redução dos juros. A razão principal é a guerra no Oriente Médio, que encareceu o petróleo no mundo e o preço dos combustíveis e do dólar no Brasil, com uma forte pressão inflacionária. O contexto conturbado tem levado o mercado a reavaliar a aposta sobre o tamanho do ciclo de cortes e qual será a decisão da reunião desta quarta. Quem apostava em uma redução de 0,5 ponto percentual já considera a possibilidade de um percentual menor de corte, de 0,25 ponto percentual.

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Essa é, por exemplo, a aposta do diretor de Pesquisa Econômica do Bradesco, Fernando Honorato Barbosa. Ele afirma que a guerra deflagrada pelos ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã trouxe bastante volatilidade para o mercado, o que se traduz em incertezas para o ciclo de cortes de juros. O início do ciclo de cortes não deve ser ameaçado, mas Barbosa considera de que a autoridade monetária pode fazer a opção por um movimento cauteloso.  

“Esperamos um corte de 0,50 ponto percentual, dado o enfraquecimento da atividade e a moderação da inflação nos últimos meses, mas reconhecemos que aumentou a probabilidade de um passo mais cauteloso por parte da autoridade monetária”, diz o diretor do Bradesco.

O economista-chefe para a América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, espera um corte de 0,25 ponto percentual. Para ele, o cenário-base mudou com o conflito no Oriente Médio, que levou a um forte aumento nos preços do petróleo, valorização do dólar, aumento da aversão ao risco e condições financeiras mais restritivas. Tudo isso em meio a um elevado risco geopolítico global.

“Não fossem esses acontecimentos, acreditamos que o Copom provavelmente anunciaria um corte de 0,5 ponto percentual na taxa de juros. Avaliamos uma pequena probabilidade de não haver corte. Se o Copom não tivesse sinalizado um corte para esta reunião, provavelmente não o faria”, afirma Ramos. 

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Optar por um ajuste mais cauteloso, diz o economista-chefe do Goldman Sachs, reduz a probabilidade de arrependimento futuro. Para ele, é mais defensável acelerar o ritmo dos cortes de 0,25 ponto percentual para 0,5 ponto percentual ou mais, quando e se o cenário externo se normalizar, do que começar com um corte maior e depois ter que desacelerar ou mesmo parar completamente, caso o ambiente externo permaneça instável.

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