O tempo de Cleitinho e o cenário aberto para as candidaturas em Minas Gerais
Líder em pesquisas para o governo do estado, senador diz que só resolve entre maio e junho se entra na corrida eleitoral; decisão vai interferir nas alianças dos outros concorrentes
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Apontado como uma das peças centrais da disputa pelo governo de Minas Gerais em 2026, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) ainda mantém em aberto se vai ou não entrar na corrida eleitoral. Mesmo liderando cenários recentes de intenção de voto no estado, o parlamentar afirma que ainda precisa de um tempo para tomar a decisão.
Em conversa com o PlatôBR, Cleitinho afirmou que pretende adiar a definição pelo menos por algumas semanas. Vou decidir isso entre maio e junho. Até lá vou focar no meu mandato, disse o senador, que hoje aparece na liderança das principais pesquisas de opinião para suceder o atual governador, Romeu Zema (Novo).
Com mais quatro anos de mandato no Senado, Cleitinho não precisa disputar cargos nas urnas em outubro. O tempo para decisão de Cleitinho, no entanto, tem impacto direto nas articulações políticas em Minas. Aliados e adversários avaliam que uma eventual candidatura do senador pode reorganizar o tabuleiro da disputa e influenciar a formação das chapas, especialmente no campo da direita, onde diferentes grupos ainda tentam consolidar um nome para a sucessão.
No grupo do atual governo, o nome colocado para a corrida eleitoral é o do vice-governador Mateus Simões (PSD), que assumirá o Executivo estadual em abril, com a desincompatibilização de Zema. Considerado o candidato natural do entorno do governador, Simões ainda tenta ampliar a projeção política no estado e aparece atrás de Cleitinho, do senador Rodrigo Pacheco (ainda no PSD) e do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) nos levantamentos de intenção de voto, o que mantém aberto o debate sobre quem deve liderar o campo conservador na eleição.
Esse cenário se cruza com outra indefinição: o posicionamento do bolsonarismo em Minas. Embora Cleitinho dialogue com esse eleitorado e seja visto por parte da direita como o nome mais competitivo, ainda há discussões sobre a possibilidade de apoio a uma candidatura ligada ao grupo de Zema ou até mesmo o lançamento de um nome mais diretamente identificado com o ex-presidente.
O candidato de Lula
No campo mais próximo ao governo federal, os partidos também acompanham os movimentos dos adversários enquanto discutem a possibilidade de uma candidatura do senador Rodrigo Pacheco, nome defendido pelo presidente Lula e que deve trocar o PSD pelo União Brasil ou pelo MDB. O deputado Rogério Correia (PT-MG) afirmou ao PlatôBR que a expectativa é estar ao lado do ex-presidente do Senado, embora reconheça que o cenário ainda esteja aberto. O nosso quadro é caminhar junto com o Pacheco, mesmo que essa situação ainda esteja um pouco indefinida porque o Pacheco depende de partido, disse.
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Segundo o petista, a estratégia desse grupo passa pela tentativa de construir uma frente mais ampla para enfrentar a direita no estado. O melhor para nós seria uma campanha o mais ampla possível, afirmou. Na avaliação de Correia, a própria movimentação de Cleitinho está relacionada à expectativa sobre o posicionamento dos aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato a presidente, no estado. A jogada do Cleitinho é esperar para ver se vai ter o apoio do bolsonarismo, disse, acrescentando que, caso a oposição ao Planalto consiga se unificar, a disputa pode acabar polarizada já no primeiro turno. Nossa chapa sendo mais ampla, a polarização pode se dar já no primeiro turno e talvez já seja possível decidir a eleição, disse Correia.