Por que ninguém (nem a oposição) quer CPI para investigar ministros do STF
Resistência de Davi Alcolumbre em pautar pedido apresentado por Alessandro Vieira encontra eco entre governistas e adversários do Planalto, que temem efeitos políticos da investigação em ano eleitoral
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A postura do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), de resistir aos pedidos de abertura de CPIs (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o Banco Master e suas ligações com ministros do Supremo Tribunal Federal tem servido de alívio para vários setores do Congresso.
Essa preocupação aparece nas falas de parlamentares tanto do lado governista, que não faz segredo de sua posição contrária aos pedidos, quanto da oposição, que assina as propostas, mas também teme um ambiente deteriorado por denúncias de envolvimento de políticos desse campo com o banqueiro.
Alcolumbre tem seus motivos para desconversar sobre o tema e o que se vê no Congresso é o receio de que as investigações sacudam os trabalhos neste ano eleitoral em uma CPI que todos sabem como começará, mas não têm certeza de como terminará.
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) apresentou a proposta voltada para os ministros do STF Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, com assinaturas de senadores da oposição. Políticos governistas, no entanto, consideram a proposta extemporânea. Duvido que ele vai deixar a campanha dele à reeleição para estar aqui tocando uma CPI, disse o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), ao PlatôBR.
Para muitos senadores, a estratégia de Vieira ao apresentar o pedido é fazer um aceno aos eleitores bolsonaristas neste momento com o objetivo de conquistar em Sergipe votos desse segmento em sua campanha para mais um mandato de senador.
Embate público
Mas a iniciativa acabou gerando um embate público com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que usou as redes sociais para criticar a proposta e questionar a legitimidade de uma CPI instalada para investigar ministros do STF. O filho do ex-presidente também sugeriu ampliar o escopo da investigação para incluir integrantes do governo federal. Alessandro Vieira reagiu às declarações e afirmou que a posição do colega poderia ser interpretada como covardia ou conveniência.
Mesmo entre parlamentares da oposição que apoiaram o pedido, há dúvidas sobre a viabilidade política de uma investigação restrita aos ministros do STF. O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), que assinou a proposta, afirmou ver mais chances de prosperar uma investigação mais ampla sobre o caso do Banco Master do que uma comissão focada apenas em dois integrantes da Corte.
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Assinei a CPI, mas acho mais fácil uma investigação sobre o Banco Master. Investigar apenas dois indivíduos é mais difícil. Acho que tem muita gente envolvida, disse Marinho a reportagem.