Governo vê riscos na intenção dos Estados Unidos de tratar PCC e CV como terroristas

O tema é altamente sensível por se tratar de prioridade na agenda de Lula com Trump e, também, pela dificuldade de abordagem da segurança pública na campanha eleitoral

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A intenção do governo dos Estados Unidos de classificar facções criminosas, a exemplo do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho), como organizações terroristas atravessou a preparação da visita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende fazer em breve a Donald Trump. Lula já havia definido que um dos temas prioritários que ele pretende levar para a conversa com o presidente americano é a questão da segurança e do combate ao crime internacional.

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No entanto, o tratamento a ser dado pelos Estados Unidos a essas organizações, noticiado pelo site UOL, desagrada ao governo brasileiro, que enxerga na movimentação da administração Trump um risco de que essa classificação resulte em ataques à soberania do Brasil ou de outros países da América Latina.

O temor se fundamenta no episódio da captura de Nicolás Maduro, na Venezuela, por forças de segurança dos Estados Unidos sob o pretexto de combate ao narcotráfico. Meses antes, Trump usou o argumento para enviar forças militares ao Mar do Caribe com a justificativa de que seria uma operação contra cartéis de drogas venezuelanos.

Na noite de domingo, 8, o ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores) conversou com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, no contexto da preparação para a visita de Lula, que ainda não tem data definida, embora o petista queira que a viagem ocorra neste mês de março. O contato entre Vieira e de Rubio ocorreu depois de uma reunião de Trump com presidentes latino-americanos na Flórida.

Tema sensível
No Planalto, o tema é cercado de temores. Primeiro por se tratar do principal assunto da agenda que Lula pretende discutir com o presidente americano. O enfoque do petista é a cooperação entre os dois países para o combate ao crime internacional. Além disso, Lula  teme que, ao colocar sua visão contrária à classificação das facções como organizações terroristas, seja taxado pela oposição como conivente com os criminosos.

Outro fator que vem sendo considerado por membros do governo é o fato de que a questão da segurança pública é um assunto no qual o presidente vem encontrando dificuldades na abordagem, tendo perdido batalhas importantes como no PL Antifacção, aprovado pelo Congresso com um viés diferente da proposta original apresentada pelo Planalto.

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Membros do governo enxergam alto potencial de discurso para a oposição, principalmente para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que deverá enfrentar Lula nas urnas neste ano e que defende políticas intervencionistas americanas na segurança no Brasil. No ano passado, Flávio chegou a sugerir que os Estados Unidos atacassem “barcos com drogas” na Baía de Guanabara.

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