Segunda prisão de Vorcaro, sigilos de Lulinha e aprovação da PEC da Segurança
Mensagens dos celulares do banqueiro incluem ameaças contra adversários e diálogos com autoridades dos três poderes, Flávio Dino cancela decisão da CPI contra filho do presidente da República, proposta para combate ao crime organizado segue para o Senado e guerra no Oriente Médio mexe com o dólar e a bolsa no Brasil
compartilhe
SIGA
A divulgação das mensagens encontradas pela Polícia Federal nos telefones de Daniel Vorcaro, preso pela segunda vez na quarta-feira, 4, surpreendeu o país pela extensão dos tentáculos do banco Master, pelas relações promíscuas com autoridades e pelos métodos empregados pelos investigados contra quem os contrariava.
Um dos diálogos mais comprometedores foi com Alexandre de Moraes no dia da primeira prisão do banqueiro, no dia 17 de novembro do ano passado. O ministro do STF nega ter tido essas conversas com Vorcaro. O interlocutor de Vorcaro poderia entrar no circuito para tentar salvar o Master da liquidação, segundo as mensagens obtidas pela PF.
A Polícia Federal também encontrou indícios de que servidores do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização na gestão de Roberto Campos Neto, e Bellini Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, receberam propina para atuar em benefício do Master dentro do BC.
Os diálogos também revelaram a existência de um setor da organização comandada pelo banqueiro especializado no monitoramento e na intimidação de pessoas consideradas adversárias. Vorcaro, em uma das conversas, manda um dos investigados, Luiz Philippi Machado de Moraes Mourão, quebrar os dentes do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, que publicava notícias negativas sobre o Master.
A tentativa de suicídio de Mourão depois de preso chocou o país e provocou críticas sobre a atuação da PF. Na noite de quinta-feira, o relator do processo no STF, ministro André Mendonça, ordenou a transferência de Vorcaro para uma prisão de segurança máxima em Brasília.
Flávio Dino suspende quebra de sigilos de Lulinha
Na noite desta quinta-feira, 5, o ministro do STF Flávio Dino suspendeu a quebra de sigilos de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, decidida pela CPI mista do INSS. No entendimento de Dino, a comissão não poderia ter tomado a decisão em globo, ou seja, a votação foi de quebra de sigilos de um bloco de pessoas. Deveria ser individualizada, segundo o ministro.
Antes do despacho de Dino, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), rejeitou na terça-feira, 3, um requerimento apresentado pela bancada governista para anulação da votação da sessão que quebrou os sigilos. Foi uma derrota do Planalto.
Câmara aprova PEC da Segurança
Depois de um amplo acordo costurado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a Câmara aprovou na noite da quarta-feira, 4, a PEC da Segurança, uma das prioridades do governo Lula para este ano. O ponto mais polêmico, sobre a realização de um plebiscito sobre redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, foi retirado do texto pelo relator, deputado Mendonça Filho (União Brasil-PE), para que os líderes aceitassem votar a PEC.
A proposta agora segue para análise do Senado. O texto em tramitação fortalece a cooperação entre União, estados e municípios e ampliar o compartilhamento de dados e estratégias no combate à criminalidade. O texto também reforça a atuação coordenada entre as polícias e aprimora mecanismos de investigação e repressão a facções criminosas.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Dólar e bolsa: efeitos da guerra no Oriente Médio
A guerra no Oriente Médio, iniciada com ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, inverteu as tendências de queda do dólar e de subida do Ibovespa. Durante a semana, a moeda americana voltou se negociada acima do patamar de R$ 5,20 e o Ibovespa caiu para a faixa de 180.000 pontos.