Flávio ‘moderado’: o dilema de herdar o bolsonarismo sem virar ‘candidato do passado’

Escolhido de Jair Bolsonaro trabalha para manter bandeiras e votos da direita, mas tenta atrair novo eleitorado na corrida ao Planalto

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Na linha tênue entre reciclar um legado e escapar das armadilhas impopulares do passado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem construído a pré-campanha à Presidência como um laboratório de atualização do bolsonarismo raiz. Ao dizer que sua candidatura é irreversível e decidida pelo pai para continuar o projeto nacional, referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro, ele aposta em símbolos associados ao ressurgimento da extrema direita, que ainda mobilizam a base conservadora, ao mesmo tempo em que procura romper com posicionamentos mais radicais protagonizados pelo ex-presidente.  

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A manutenção do uso das cores verde e amarelo em atos de rua, como o realizado recentemente em São Paulo, não é mero ornamento visual: é gesto calculado para manter o “patriotismo” como bandeira identitária da militância mais radical, a mesma que ajuda na mobilização que ascendeu Jair Bolsonaro à principal cadeira da Praça dos Três Poderes. Da mesma forma, o presidenciável renova as críticas aos integrantes do STF (Supremo Tribunal Federal), condena a “ditatura do Judiciário” e sai em defesa de sanções mais brandas aos condenados pelos atos do 8 de Janeiro, o que inclui o próprio pai.

Por outro lado, Flávio também sinaliza estrategicamente a segmentos mais moderados para atrair os votos do eleitor menos radical. Acenos à comunidade LGBTQIA+ e à defesa da segurança alimentar para o desenvolvimento do país são exemplos. O tom ameno da pré-campanha também ganhou força quando ele afirmou ser “um Bolsonaro que toma vacina”, gesto que reforça uma versão mais pragmática que a original. O risco, contudo, mora justamente aí: manter os aplausos da claque mais radical sem afastar o eleitor mais moderado, a quem é atribuída a vitória de Lula nas eleições de 2022.

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É nesse limbo que Flávio aposta as fichas para mostrar uma nova roupagem do bolsonarismo. Sem o peso das polêmicas, o senador também se afasta de repetir a mesma cartilha que garantiu ao pai, em 2018, o comando do Planalto. Pelo sim, pelo não, a equação adotada tem surtido efeito: o filho do ex-presidente contrariou as previsões sobre a preferência por Tarcísio de Freitas (Republicanos), como “o melhor candidato” e despontou nas pesquisas, a ponto de alcançar o empate técnico com o presidente Lula, pré-candidato à reeleição.

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