Sem derrubar quebra de sigilo de Lulinha, governistas miram Nikolas na CPI
Base do Planalto não conseguiu anular decisão sobre filho de Lula, mas agora concentra estratégia em requerimentos que atingem deputado do PL e aliados de Bolsonaro
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Depois de ver frustrada a tentativa de anular a quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, na CPI Mista do INSS, governistas passaram a redirecionar a estratégia da comissão para a votação de requerimentos que atingem parlamentares e aliados do bolsonarismo. O principal alvo, segundo relatos colhidos pela reportagem, é o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), após a revelação pelo jornal O Globo de que ele utilizou, na campanha de 2022, um jatinho ligado ao empresário Daniel Vorcaro, dono do banco Master.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu nesta terça–feira, 3, manter a deliberação da comissão que aprovou a quebra de sigilo. Ao ler sua decisão, afirmou: Adianto desde logo que este não é um caso de flagrante desrespeito ao regimento interno ou à Constituição Federal. Não há aqui situação que justifique a excepcional atuação desta presidência para anular a deliberação da CPI. A base governista havia recorrido sob o argumento de erro na contagem dos votos, mas o pedido foi rejeitado.
Ao PlatôBR, o deputado Alencar Santana (PT-SP) classificou a decisão como atropelo ao regimento e afirmou que não se pode contar voto de quem não votou. Segundo ele, a condução da comissão tem sido marcada por investigação seletiva. O parlamentar defendeu que sejam apreciados requerimentos que miram Nikolas e seu entorno e também Letícia Caetano, apontada como sócia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e irmã de Alexandre Caetano dos Reis, mencionado nas investigações como sócio de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS“.
Na mesma linha, o deputado Rogério Correia (PT-MG) afirmou que a decisão foi absurda e antirregimental, mas disse que a base continuará atuando na CPI para aprovar seus próprios pedidos.
O nome de Nikolas entrou no radar após vir a público que ele utilizou, durante a campanha eleitoral, uma aeronave ligada a Vorcaro. O deputado afirmou que não sabia quem era o proprietário do avião à época. Governistas querem que o episódio seja esclarecido pela comissão.
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Outros parlamentares membros da CPI falaram com a reportagem e, sob reserva, relataram que a estratégia agora é insistir nos desdobramentos dessa revelação com requerimentos que, na avaliação deles, ampliam o escopo da investigação.