Ala majoritária do Cidadania tenta reverter na Justiça volta de Freire ao comando

Disputa entre ala majoritária do diretório nacional e grupo de ex-deputado se arrasta há três anos e tem mais um capítulo em tribunal

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A crise interna atravessada pelo Cidadania vai ganhar novos capítulos nas próximas semanas. A ala que faz oposição a Roberto Freire entrou nesta quinta-feira, 12, com uma ação no TJDF (Tribunal de Justiça do Distrito Federal), assinada pelo ex-senador Cristovam Buarque (DF), para tentar anular os efeitos da reunião de segunda-feira, 9, que manteve o dirigente na presidência nacional do partido. O grupo é encabeçado pelo vice-presidente Comte Bittencourt e afirma reunir 69 dos 101 integrantes do Diretório Nacional — número suficiente para vencer uma eventual votação interna.

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A reação veio após a reunião de segunda-feira, virtual, marcada por tensão e acusações de manobras regimentais. Segundo relatos, microfones foram silenciados, falas interrompidas e a chapa alternativa apresentada pela ex-deputada Luzia Ferreira (MG) não foi submetida ao plenário. Freire preencheu dois cargos vagos na direção e sustentou que sua permanência no comando estava assegurada pela Justiça.

Hoje com 83 anos, Freire iniciou a militância no antigo PCB (Partido Comunista Brasileiro) desde a década de 1960, exerceu sete mandatos de deputado, destacou-se como deputado constituinte pelo partido e assumiu a presidência da legenda em 1991. No ano seguinte, na esteira da queda do Muro de Berlim, o PCB mudou o nome para PPS (Partido Popular Socialista), rebatizado para Cidadania em 2019.

No total, ele exerceu sete mandatos de deputado federal, cinco por Pernambuco e dois por São Paulo, e um de senador, por Pernambuco. Nos últimos anos, o ex-parlamentar passou a enfrentar resistência crescente de dirigentes que defendem renovação e criticam a concentração de poder por Freire.

Em 2023, Freire foi afastado do comando do Cidadania após mudanças aprovadas em reunião do diretório nacional, quando Comte Bittencourt assumiu interinamente a presidência. Decisão recente da presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministra Cármen Lúcia, ordenou a atualização dos registros do partido no sistema da corte e reconduziu Freire “imediatamente” ao cargo, devolvendo a ele o controle formal da estrutura.

Essa reviravolta foi motivada por problemas nas atas das reuniões do diretório nacional. De novo à frente do partido, Freire hoje tem como principal aliado na legenda o deputado Alex Manente (Cidadania-SP).

Além da disputa política no partido, pesam divergências sobre o controle de cerca de R$ 100 milhões dos fundos partidário e eleitoral e sobre os rumos da legenda, como a sinalização de aproximação com o Republicanos, partido do governador Tarcísio de Freitas. 

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Com o congresso nacional do partido previsto para março, quando termina o mandato do atual diretório nacional o Cidadania entra na reta decisiva sob judicialização, racha interno e incerteza sobre quem, de fato, o comandará neste ano eleitoral.

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