Brasil vê no plano de Trump para minerais raros o mesmo ‘vício’ do Conselho da Paz
Os dois assuntos estarão na conversa de Lula com o presidente dos Estados Unidos que está prevista para o início de março, em Washington
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O governo brasileiro identifica um problema comum nas duas propostas de cooperação apresentadas pelo governo de Donald Trump, uma sobre a implantação de uma forma de governança para a exploração de minerais críticos e a outra em relação à criação do chamado Conselho da Paz, para reconstruir a Faixa de Gaza. Em ambos os planos, avaliam autoridades que acompanham esse assunto, a dimensão multilateral não é contemplada.
O convite para o Brasil integrar uma aliança entre países para controlar a cadeia produtiva de minerais críticos, feito na quarta-feira, 4, foi visto como uma tentativa de reserva de mercado moldada aos interesses americanos para impedir acesso de países como a China a minerais estratégicos como lítio, grafita, cobre, níquel e terras-raras. Pelos termos da proposta de Trump, o Brasil participaria de uma nova coalizão internacional para o tratamento desses insumos.
A tendência, de acordo com autoridades do governo Lula, é que o Brasil não se alinhe aos Estados Unidos nesse grupo e que busque tratar do tema em instâncias multilaterais. O tema, em geral, e em particular a proposta dos Estados Unidos, estará na pauta de conversas de Lula com outros líderes mundiais. O assunto será tratado, por exemplo, durante a viagem que o presidente fará à Índia no final deste mês.
Lula defende que assuntos dessa relevância sejam tratados e resolvidos em foros multilaterais. Essa foi, inclusive, uma observação feita pelo Brasil a respeito da proposta de Trump de criar o Conselho da Paz para Gaza. O presidente brasileiro reclamou da ausência da Autoridade Palestina entre os convidados por Trump para integrar o grupo. Além disso, pediu que o conselho se restringisse à questão da Guerra em Gaza – a proposta do presidente americano dá margem para que o colegiado passe a funcionar como um organismo alternativo ao Conselho de Segurança da ONU em assuntos diversos envolvendo conflitos no planeta.
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Segundo autoridades brasileiras, os dois assuntos serão tratados, também, no encontro que Lula terá com Trump na visita que fará a Washington, prevista para o início de março.