Dedo de Haddad em indicação para o BC soa como ingerência na gestão Galípolo

A aventada escolha do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, para uma das diretorias do Banco Central é interpretada na autarquia como interferência indevida da Fazenda

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A possível indicação do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, para a Diretoria de Política Econômica do Banco Central é interpretada por técnicos da autoridade monetária como uma interferência do ministro Fernando Haddad na gestão de Gabriel Galípolo. Com duas vagas de diretor abertas desde 31 de dezembro, a expectativa interna no BC era de que Galípolo teria voz ativa na escolha dos integrantes da equipe — o que, parece, não ocorrerá.

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Mello é ligado a Haddad, foi assessor do PT e sua possível escolha sinaliza que o ministro da Fazenda quer continuar a ter influência sobre a equipe econômica mesmo após anunciar o plano de deixar a pasta ainda em fevereiro para coordenar a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo interlocutores de Galípolo, a relação entre ele e Haddad está abalada desde que o presidente do BC negou ter sido informado pelo Ministério da Fazenda da decisão do governo de elevar as alíquotas de IOF para aplicações financeiras. Publicamente, ambos negam que existam divergências.

As notícias de que Haddad indicou o nome de Mello para Lula começaram a circular na última sexta-feira, 30, e não foram confirmadas oficialmente pelo Ministério da Fazenda nem pelo Palácio do Planalto. Cabe ao presidente da República escolher e enviar ao Senado os nomes que serão sabatinados para ocupar a Diretoria de Política Econômica e a Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução, os dois cargos vagos na instituição.

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Guilherme Mello atuou nas campanhas petistas de 2018 e 2022, período em que se aproximou de Haddad. Economista de formação heterodoxa que defende o Estado como indutor do crescimento econômico , ele sempre teve uma visão crítica da política de juros do BC e do viés fiscalista dos economistas liberais mais próximos à Faria Lima.

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