Eleições no Norte: nomes tradicionais tentam manter relevância contra novatos
Os sete estados da região ainda convivem com indefinições sobre as candidaturas, mas a presença de novatos na cena política regional antecipa um cenário de duelo animado com figuras carimbadas
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A corrida eleitoral de 2026 na região Norte do país começa a se desenhar marcada pela movimentação de lideranças já consolidadas, que tentam manter a influência política contra novatos. Em vários estados, governadores sem possibilidade de reeleição buscam preservar espaço lançando aliados, enquanto opositores tentam se organizar em cenários ainda fragmentados, com arranjos guiados menos por polarização ideológica nacional e mais por dinâmicas locais e pelo peso das máquinas políticas regionais.
No Acre, o cenário para o Palácio Rio Branco, sede do governo estadual, começa a se cristalizar em torno de nomes que já ocupam espaços relevantes no tabuleiro político estadual. Alan Rick (União Brasil), atualmente senador, aparece como favorito nas pesquisas estimuladas, com larga vantagem sobre adversários como Tião Bocalom (PL), prefeito de Rio Branco, Mailza Assis (PP), atual vice-governadora, e Thor Dantas (PSB). Mesmo atrás de Rick nas sondagens, Bocalom pode reconfigurar a disputa caso consolide apoios regionais. Mailza também desponta como um nome competitivo no campo governista, enquanto Dantas aparece com menor expressão.
A corrida pelo Senado deve reunir nomes tradicionais e politicamente estruturados. O atual governador, Gladson Cameli (PP), surge como um dos candidatos mais competitivos nos cenários de intenção de voto, liderando as simulações e capturando uma parcela significativa do eleitorado. O senador Márcio Bittar (PL) deve tentar mais um mandato pelo campo da centro-direita, enquanto o ex-governador Jorge Viana (PT), atual presidente da Apex, a agência de promoção de exportações vinculada ao governo federal, representa a oposição. Ganham atenção ainda na corrida pelo Senado as ex-deputadas Jéssica Sales (MDB) e Mara Rocha (Republicanos).
No Amapá, o governador Clécio Luís (União Brasil) tentará a reeleição em um arranjo político híbrido. Historicamente ligado à esquerda, Clécio mudou de partido por influência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e hoje governa com apoio tanto de setores da centro-direita quanto da esquerda aliada ao governo Lula, como o senador Randolfe Rodrigues (PT). A movimentação embaralha o desenho do palanque estadual, com incertezas sobre o grau de alinhamento do governador com Brasília. Na oposição, o prefeito de Macapá, Dr. Furlan (MDB), tenta se viabilizar como principal adversário, reunindo as forças críticas à atual gestão.
No Senado, o campo governista trabalha pela reeleição de Randolfe Rodrigues, enquanto os grupos mais ao centro e à direita discutem nomes como o do senador Lucas Barreto (PSD). Fora da corrida, já que tem mandato até 2031, Davi Alcolumbre atua nos bastidores para influenciar a composição das chapas e manter seu grupo político no centro das decisões. O cenário no estado tende a ser marcado menos por polarização ideológica e mais pela disputa entre os diferentes grupos locais de poder.
No Amazonas, a corrida pelo governo estadual se desenha com forte protagonismo de figuras já conhecidas no cenário político local. Sem possibilidade de reeleição do atual governador Wilson Lima (União Brasil), a corrida para o Palácio Rio Negro tem Omar Aziz (PSD), atual senador e ex-governador, como um dos nomes de maior visibilidade. A candidatura de Aziz é reforçada pela ampla relação com lideranças regionais. Pelos movimentos conhecidos até aqui, também desponta como alternativa Maria do Carmo Seffair (PL), empresária e gestora universitária apoiada pelo PL, que busca espaço entre os eleitores mais alinhados à oposição local. Outros nomes como David Almeida (Avante), prefeito de Manaus, e Tadeu de Souza (Avante), vice-governador, aparecem em análises eleitorais e podem compor um leque competitivo de candidaturas ao governo
Para a corrida ao Senado, a lista de postulantes do Amazonas combina figuras com mandato no Congresso e alguns nomes menos consolidados na política. Entre os mais citados estão os senadores Eduardo Braga (MDB) e Plínio Valério (PSDB), ambos com conhecida trajetória política no estado. Além deles, o ex-deputado Marcelo Ramos (PT) e o deputado Capitão Alberto Neto (PL) também têm intenção de concorrer em outubro. O governador Wilson Lima (União Brasil) e o ex-vice-prefeito de Manaus Marcos Rotta (Avante) também são mencionadas como potenciais candidatos.
Em Rondônia, o tabuleiro eleitoral está longe de uma definição final, mas pesquisas anteriores apontam uma disputa plural entre figuras de diferentes espectros partidários. Dr. Fernando Máximo (União Brasil) tem surfado como um candidato competitivo em vários cenários testados nas pesquisas, assim como o atual senador Marcos Rogério (PL). Adailton Fúria (PSD) e o senador Confúcio Moura (MDB), que ainda considera tentar a reeleição no Congresso, também figuram entre os possíveis postulantes ao governo, assim como Hildon Chaves (PSDB).
Na disputa pelas duas vagas ao Senado em Rondônia, os levantamentos conhecidos até agora apontam para o próprio Confúcio Moura e para Bruno Scheid (PL), no campo da direita, Silvia Cristina (PP) e, ainda, o senador Marcos Rogério, que pode tentar renovar o mandato se desistir de disputar o governo estadual. Coronel Marcos Rocha (União Brasil) e Delegado Rodrigo Camargo (Republicanos) também aparecem como opções.
Em Roraima, o cenário para a disputa pelo governo deve ter nomes bem conhecidos do eleitorado regional. No campo governista, o prefeito de Boa Vista, Arthur Henrique (MDB), aparece como um dos favoritos. Outro nome de peso é o da ex-prefeita Teresa Surita (MDB), que mantém recall eleitoral elevado após sucessivos mandatos no comando da capital. Além da dupla emedebista, também se movimentam como pré-candidatos o vice-governador Edilson Damião (Republicanos), o deputado estadual Soldado Sampaio (Republicanos) e o advogado Juscelino Kubitschek Pereira (PT).
A disputa pelas vagas no Senado também começa a se desenhar. Entre os possíveis candidatos estão os atuais senadores Chico Rodrigues (PSB) e Mecias de Jesus (Republicanos), além do governador Antonio Denarium (PP) e da deputada federal Helena Lima (MDB). Também circulam os nomes do empresário Rodrigo Cataratas (PRD) e do médico Mauro Asato (Avante), que surge como novato na cena política estadual.
No Pará, a sucessão estadual gira em torno da força política do governador Helder Barbalho (MDB), que trabalha para manter o controle do Executivo e ampliar a influência de seu grupo no Senado. No campo governista, a vice-governadora Hana Ghassan (MDB) é apontada como principal aposta para a disputa pela sucessão de Helder, embora enfrente resistências internas e a necessidade de acomodar interesses de uma base ampla e heterogênea. Na oposição local, o prefeito de Ananindeua, Daniel Santos (PSB), aparece como o principal adversário do grupo Barbalho e tenta se viabilizar como alternativa estadual fora da órbita do governo.
O atual governador é tratado como favorito para uma das vagas ao Senado. A disputa tende a ser um foco de tensão, especialmente pela segunda vaga, com o deputado federal Delegado Éder Mauro (PL), o ex-ministro do Turismo Celso Sabino (União Brasil) e o senador Zequinha Marinho (Podemos), num cenário de alianças fluidas.
No Tocantins, a disputa ainda está bastante aberta. A senadora Dorinha Seabra (União Brasil) lidera as intenções de voto para o governo. O principal adversário é o vice-governador Laurez Moreira (PSD), que tenta se viabilizar como alternativa e terá de disputar votos com o ex-senador Ataídes de Oliveira (Democracia Cristã). O cenário político estadual é conturbado há anos. Desde 2006, nenhum governador do Tocantins conseguiu concluir o mandato de quatro anos. Cinco foram cassados, renunciaram ou foram afastados por decisão judicial.
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O atual governador, Wanderlei Barbosa (Republicanos), deve se desincompatibilizar para disputar o Senado. Hoje ele é o nome mais competitivo, seguido pelo senador Eduardo Gomes (PL), que deve tentar a reeleição, assim como o senador Irajá Abreu (Podemos), filho da ex-ministra Kátia Abreu. Também surgem como possíveis candidatos ao Senado os deputados federais Alexandre Guimarães (MDB), Vicentinho Júnior (PP) e Carlos Gaguim (União Brasil), além do ex-técnico da Seleção Vanderlei Luxemburgo (Podemos).