Ecos da nota sobre o Irã: os diferentes pesos e medidas do Itamaraty

Um levantamento feito pelo PlatôBR evidencia diferenças de tom e a falta de menção aos direitos humanos a depender de onde as crises ocorrem e de quais governos estão envolvidos

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A nota do Itamaraty sobre a crise no Irã, divulgada na terça-feira, 13, foi alvo de críticas nas redes sociais por seu tom considerado leve e cauteloso. O PlatôBR analisou cinco notas recentes de crises internacionais de grande repercussão, do Sudão ao Irã, e identificou diferenças de tom e evidências de que, a depender de onde acontecem, crises similares nem  sempre são tratadas com a mesma firmeza pelo governo brasileiro.

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Na Venezuela, o ataque dos Estados Unidos que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro motivou uma nota assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O texto dizia a ação ultrapassou uma “linha inaceitável” e representou “uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela”. 

O ataque israelense a Doha, capital do Catar, em setembro passado, mereceu uma condenação “nos mais fortes termos”. O Itamaraty, comandado pelo ministro Mauro Vieira (foto), pediu cessar-fogo imediato e proteção da população civil, com menção explícita a direitos humanos.

No Sudão, ataques militares contra civis provocaram milhares de mortes. A nota de 1º de novembro ressaltou que a situação humanitária na região de Darfur já era extremamente delicada, e que a ofensiva agravou a crise, causando deslocamentos e mortes em massa. O governo brasileiro condenou a violência e defendeu o diálogo, enfatizando a proteção da população e a necessidade de se respeitar o direito internacional.

A escalada da tensão entre Tailândia e Camboja, em dezembro, envolveu confrontos fronteiriços que causaram mortes e deslocamentos de civis. O governo brasileiro adotou um tom mais leve e diplomático, pedindo o fim das hostilidades e diálogo, com referência indireta à proteção de civis.

A ofensiva terrestre israelense em Gaza também foi motivo de uma nota do Itamaraty, no mesmo mês. O texto classificou a ação como “grave violação ao direito internacional e humanitário”, destacando fome crônica e risco à vida de civis e reféns. O Brasil pediu cessar-fogo imediato e investigação dos responsáveis, em tom forte e condenatório.

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Já no caso do Irã, a nota da última terça-feira apenas se limitou a lamentar as mortes de manifestantes, contadas aos milhares por entidades de direitos humanos (estima-se que o número passe de 3,4 mil) e defendeu a soberania do país. Não houve condenação explícita da violência usada pelas forças oficiais do regime dos aiatolás nem menção aos  direitos humanos – o que, no fim das contas, dá razão em parte às críticas sofridas pelo Itamaraty, sobretudo nas redes sociais. O Brasil, como se sabe, mantém boa relação com o governo de Teerã.

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