Brasil deveria ter sido mais enfático em nota sobre Irã, defende embaixador

Texto do Itamaraty vem gerando debates nas redes. Para Rubens Barbosa, faltou mais ênfase na defesa de direitos humanos, já que o regime dos aiatolás é acusado de conter os protestos com ações violentas que, segundo observadores internacionais, já deixaram mais de 3,4 mil mortos

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A nota do governo brasileiro sobre a crise no Irã, divulgada na última terça-feira, 13, ainda vem gerando críticas nas redes sociais pelo tom adotado pelo Itamaraty. O texto não critica o regime dos aiatolás nem condena a violência das forças de segurança locais contra os manifestantes. Para o embaixador aposentado Rubens Barbosa, mesmo considerando a tradicional cautela da diplomacia brasileira, caberia uma defesa mais enfática dos direitos humanos no país.

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“Se a gente defende os direitos humanos aqui internamente, a gente tem que defender fora também. Mesmo no caso da Venezuela, o Brasil não defendeu”, disse Barbosa, que já comandou vários postos importantes do Itamaraty pelo mundo, incluindo a embaixada brasileira em Washington.

Organizações de direitos humanos afirmam que mais de 3,4 mil pessoas já morreram nos protestos contra o regime, iniciados em dezembro. Na nota, o Itamaraty afirmou acompanhar “com preocupação” as manifestações, lamenta as mortes e diz que “cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país”. O texto também pede que os atores envolvidos se engajem em um diálogo pacífico.

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Rubens Barbosa chama atenção também para o trecho da nota no qual o governo brasileiro enfatiza a importância de se considerar a soberania do Irã. Na avaliação dele, esse ponto indica preocupação com uma possível escalada externa da crise em meio à possibilidade de adoção de medidas mais duras contra Teerã, especialmente por parte dps Estados Unidos.

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