PSB, desconfiado, vai a Lula para defender que Alckmin seja vice de novo
A cúpula do partido se mostra descontente com as especulações, atribuídas ao PT, em torno da possibilidade de do atual vice-presidente se candidatar ao governo de São Paulo
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Apesar dos elogios frequentes à atuação de Geraldo Alckmin (PSB-SP), o PSB ainda não recebeu de forma clara do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a garantia de que o vice-presidente será novamente seu parceiro na chapa a ser montada para disputar a reeleição.
Integrantes da cúpula do partido de Alckmin se ressentem da falta de sinalização e reclamam: dizem que a demora leva a uma série de incertezas e especulações que se chocam, inclusive, com a vontade do próprio vice-presidente.
Uma das especulações que mais desagradam os membros da sigla é a de que Alckmin poderia ser o nome para encabeçar uma chapa majoritária forte na disputa pelo governo de São Paulo. Correligionários do vice identificam o que chamam de “digital petista” na ideia e sustentam que essa opção é completamente rechaçada tanto pelo PSB quanto por Alckmin.
Primeiramente, porque Alckmin já avisou que não deseja concorrer ao governo e que sua intenção é continuar como vice de Lula. Depois, há dúvidas sobre as chances de sucesso numa disputa estadual em São Paulo. Alckmin e o PSB acreditam que ele já não tem o mesmo capital eleitoral no interior do estado depois de ter aceitado ser vice de Lula.
“Alckmin não é mais o mesmo em São Paulo, um estado que se radicalizou para o lado da direita e o enxerga como um traidor”, disse um integrante da sigla, sob reserva. “Além disso, essa é uma questão já resolvida na cabeça de Alckmin. Ele não quer ser candidato ao governo de São Paulo. Não faz nenhum sentido. Diante dessa posição, o PSB fecha 100% com ele”, acrescentou.
Alckmin já foi elogiado por Lula, pela ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) e pelo ex-ministro José Dirceu (PT-SP), que o identificam como o “melhor vice” para Lula. Mas petistas de São Paulo defendem que ele seria um excelente candidato ao governo do estado.
A insegurança do PSB ocorre em um momento de dificuldade de Lula para montar um palanque forte em São Paulo. O presidente gostaria de ter o Fernando Haddad (Fazenda), talvez até a uma das cadeiras no Senado, mas o ministro não é simpático à ideia. No próprio PSB, o ministro Márcio França (Empreendedorismo) se coloca como candidato, mas essa é uma opção que não agrada ao PT.
Diferenças antigas
A história de desencontros PSB e do PT é antiga. O partido já chegou até a fazer oposição ao governo de Dilma Rousseff e apoiou o impeachment da petista. Antes ainda, na eleição que levou Dilma ao Planalto, o PSB tinha candidato próprio, Eduardo Campos, que morreu em um acidente aéreo em plena campanha. Campos foi substituído por Marina Silva, que, derrotada, apoiou no segundo turno o adversário de Dilma, Aécio Neves.
A reconciliação entre os dois partidos só se deu em 2022, com a aliança que levou o ex-tucano Alckmin para a vice de Lula. Agora, sob a presidência do prefeito de Recife, João Campos, o PSB definiu que reeleger Alckmin como vice é prioridade. João Campos ainda não conversou sobre o assunto com Lula, mas, segundo interlocutores, espera ser chamado em breve pelo presidente para tratar da composição da chapa.
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O argumento principal a ser apresentado a Lula será o de que não existe um vice com as qualidades de Alckmin. “Experiência, competência, lealdade e discrição”, lista um aliado. Integrantes do PSB também repetem as diferenças em relação ao MDB de Michel Temer (SP), vice de Dilma. “O PT não aprendeu que foi traído pelo MDB? Quer ser traído de novo?”, diz um pessebista.