Lançado ao governo do Ceará, Ciro ainda sonha com a disputa nacional

Hoje no PSDB, o ex-ministro assumiu o compromisso de juntar as forças de oposição ao PT e construir uma aliança forte para voltar a comandar o estado, mas não desistiu de formar uma chapa nacional

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Ciro Gomes (PSDB) foi prefeito de Fortaleza, governador do Ceará, ministro da Fazenda e da Integração Nacional, deputado estadual e federal e quatro vezes candidato a Presidência da República. A lista de ocupações públicas do político do Ceará é extensa, mas ele ainda sonha com o Palácio do Planalto. Vez ou outra, quando é perguntado se ainda tem vontade de ser presidente, Ciro costuma responder que não tem como negar o desejo.

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“Ele sempre responde que quem tenta quatro vezes e diz depois que não quer, está mentindo”, contou um interlocutor muito próximo de Ciro que já o viu repetir essa resposta. “Ciro também já disse que não pretende mais incomodar o eleitorado, mas o sonho dele, naturalmente, é ser presidente, tudo depende do cenário”, disse esse interlocutor.

O cenário para Ciro, no entanto ainda depende de vários fatores. O mais complicado é a questão partidária. Ele deixou o PDT, onde teve espaço para disputar o Planalto nas duas últimas eleições, e foi para o PSDB, que por enquanto não tem planos de lançar candidato a presidente.

No Ceará, Ciro deu início a um novo projeto político depois de quatro derrotas em eleições presidenciais. A convite do ex-governador Tasso Jereissati (PSDB), ele assumiu o compromisso de juntar as forças de oposição ao PT e construir uma chapa forte para ganhar o governo do estado. Nesse caminho, Ciro viu seu sonho de voltar a disputar o Planalto ser bloqueado por uma sinalização do novo presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (MG), de não indicar um nome do partido para a sucessão de Lula e apoiar a possível candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao Planalto.

As declarações de Aécio, no entanto, foram feitas antes do lançamento do nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência, escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ), fato que mudou as perspectivas da direita, colocando em dúvida se Tarcísio realmente vai encarar um projeto nacional. Flávio se movimenta para viabilizar sua entrada na corrida presidencial, mas Tarcísio continua no páreo e conta com apoio de setores importantes do mercado e da política. 

Entre os mais próximos de Ciro, no entanto, continua viva a ideia de que ele é o nome que mais representa o eleitor que ainda quer uma alternativa à polarização entre o bolsonarismo e o lulismo. “Na maioria das pesquisas, Ciro é o terceiro nome nacional de novo, na frente de Tarcísio”, disse um aliado. 

Em abril do ano passado, pesquisa do Datafolha indicou que Ciro liderava a disputa presidencial em um cenário sem os dois principais polos da eleição de 2022. Ele marcou 19% das intenções de voto, enquanto o governador de São Paulo marcava 16% e o ministro Fernando Haddad (Fazenda) aparecia com 15%. “Desde então, as pesquisas se esqueceram de Ciro”, reclamou o aliado. Em outubro de 2025, uma pesquisa da Genial/Quaest mostrou que em um segundo turno Ciro seria o único a perder para o presidente Lula por menos de 10 pontos percentuais de diferença. Na época, o petista estava na frente de todos os seus possíveis adversários, com intenções de voto entre 41% e 47%. Ciro marcou 32%.

Caso de família
Jereissati convidou Ciro para voltar à política cearense e coordena a formação da chapa estadual que atraiu o PL, o União Brasil e outras forças de oposição a Lula e ao governador do estado, Elmano de Freitas (PT). As pesquisas colocam o tucano como favorito, mas ele enfrenta um problema familiar: o afastamento do senador Cid Gomes (PSD), seu irmão, que rompeu após sua aproximação com forças bolsonaristas no estado. 

Desde o rompimento, Ciro se encontrou com Cid duas vezes, em reuniões privadas, para tentar uma reconciliação. Os dois conversaram e buscaram separar a questão pessoal da política, mas a convergência ainda não ocorreu. Ciro segue na composição, que inclui bolsonaristas, contra o PT no estado, enquanto Cid reafirma seu compromisso de apoio ao Elmano de Freitas para a reeleição. Cid foi até chamado por Ciro de “cúmplice” do PT cearense. 

O máximo de combinação entre os irmãos neste momento é um pacto de não agressão mútua, ou seja, um não falará mal do outro no palanques. Apesar de ainda indefinida, a chapa estadual que vem sendo costurada por Ciro, por exemplo, tem como candidato a uma das vagas ao Senado o pai do deputado bolsonarista André Fernandes (PL). Trata-se do Pastor Alcides Fernandes (PL), que é ex-deputado estadual, pastor da Assembleia de Deus, cantor gospel e compositor de jingles usados pelo ex-presidente.

Embora seja favorito nas pesquisas para o governo, Ciro tem dito que gostaria de emplacar como governador o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, que também deixou o PDT, rumo ao União Brasil. Roberto Cláudio, no entanto, tem seu nome cotado para disputar uma vaga ao Senado ou à Câmara dos Deputados. Se os ventos mudarem e Cláudio entrar na corrida para governador, Ciro então poderá entrar em uma chapa nacional.

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Do lado da esquerda, Cid reforça o compromisso de apoiar a reeleição de Elmano e pode ser candidato a mais um mandato de senador. A outra vaga na chapa ficaria com o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT), que já está em campanha para o Senado, com o apoio de Lula. 

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