Os ensaios da oposição para uso político da ação dos EUA contra Maduro

Governadores e parlamentares adversários do Planalto buscam caminhos para explorar na campanha eleitoral deste ano a operação dos Estados Unidos na Venezuela

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Passados alguns dias da derrubada de Nicolás Maduro, a oposição brasileira ainda ensaia discursos para se posicionar sobre a operação dos Estados Unidos na Venezuela. Com diferenças de abordagem, parlamentares e governadores começaram a explorar politicamente esse episódio, que certamente será tema de campanha nas eleições de outubro.

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Parte dos aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro aposta na ampliação do alcance político da operação contra Maduro e tenta conectá-la ao cenário interno. Outro grupo prefere usar o fato como crítica ao campo da esquerda, sem avançar em formulações mais radicais.

O caso mais explícito da primeira linha foi uma iniciativa do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Em publicações nas redes sociais e em declarações à imprensa, ele disse apoiar a possibilidade de uma intervenção estrangeira para que “criminosos paguem pelos seus crimes”, após compartilhar montagens que associavam o episódio venezuelano ao cenário brasileiro. Questionado, afirmou que não defendia a captura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas sustentou que uma atuação externa poderia ser uma hipótese.

A fala colocou o deputado no centro do debate entre aliados e ampliou a repercussão política do episódio para além da situação venezuelana. Também provocou reação do PT, que vai processar o parlamentar mineiro sob a acusação de “atentar contra a soberania nacional”. Ao justificar as postagens, Nikolas afirmou que apenas vocalizava o sentimento de parte de seus eleitores e voltou a criticar decisões do Supremo Tribunal Federal e a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em outra frente, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) também explorou o tema nas redes, ao divulgar um vídeo produzido com inteligência artificial que atribuía falsamente ao MST uma suposta ameaça de invadir os Estados Unidos para libertar Maduro. Mesmo após alertas de seguidores e desmentido do próprio movimento, o conteúdo seguiu circulando, uma amostra de como o episódio tem sido usado para alimentar narrativas e engajamento digital no campo bolsonarista.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também comemorou a captura de Maduro. Na segunda-feira, 5, ele classificou o episódio como um marco simbólico contra o chavismo, destacando os efeitos do regime sobre a população venezuelana. Em vídeo, ele associou a longevidade da ditadura a apoios e omissões internacionais e fez críticas indiretas ao presidente Lula, mas manteve o foco no caso venezuelano.

Sem mencionar a hipótese de qualquer tipo de intervenção estrangeira no Brasil, Tarcísio concentrou o discurso na crítica ao autoritarismo e na defesa de uma transição política na Venezuela, numa linha que evita transportar diretamente o episódio para o debate institucional brasileiro.

Outros governadores
Alguns governadores foram mais rápidos e se manifestaram no dia da operação. Eles evitaram trazer a crise para o Brasil. Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás, chamou o regime venezuelano de “narcoditadura chavista” e desejou “que a democracia, a liberdade e a prosperidade se instalem no país”. Romeu Zema, de Minas Gerais, afirmou que torce para que a queda de Maduro “sirva para que o povo venezuelano finalmente reencontre paz, estabilidade e o caminho do desenvolvimento”.

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Em rede social, Ratinho Junior (PSD), do Paraná, disse que a população da Venezuela “estava sendo oprimida há décadas por tiranos antidemocráticos” e parabenizou Donald Trump “pela brilhante decisão de libertar o povo da Venezuela”. Também do PSD, Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, condenou o “regime ditatorial” de Maduro, mas registrou que a ação dos Estados Unidos foi realizada fora dos “princípios básicos” do direito internacional.

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