A bomba da Previdência: últimos dados oficiais realçam a urgência de uma solução

A taxa de informalidade no Brasil e a política de valorização do salário mínimo mantêm o rombo previdenciário crescente no país. A despesa com esses benefícios deve ultrapassar R$ 1 trilhão

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Os enormes desafios fiscais do Brasil passam pela Previdência Social, que já consome 60% do orçamento público para o pagamento de auxílios, pensões e aposentadorias. A taxa de informalidade da economia brasileira, que ultrapassa os 30% há anos, e a vinculação do valor do salário mínimo aos benefícios previdenciários pressionam as contas públicas, mesmo com a taxa de desemprego no menor patamar da história.

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Na prática, sem mudanças nessa realidade, o rombo previdenciário continuará a crescer nos próximos anos. Para 2026, a expectativa do governo é de um déficit de R$ 328 bilhões, segundo as projeções atuariais apresentadas na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026. Em cinco anos, em 2031, esse valor chegará a mais de meio trilhão de reais – a projeção é de exatos R$ 502,5 bilhões.

Dados recém-divulgados pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) e pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) ilustram esse problema. O Brasil nunca teve tantos trabalhadores com carteira assinada e pessoas que contribuem ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Só que o bom momento do mercado de trabalho é insuficiente para reverter a tendência aumento dos gastos previdenciários.

Segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) do MTE, o Brasil tinha em novembro 49,09 milhões de trabalhadores no mercado formal, o maior número da história. Já a PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua) do IBGE aponta que 68,33 milhões de brasileiros contribuíam para o INSS, valor que corresponde a 66,3% das pessoas de 14 anos ou mais que estavam ocupadas.

Tanto o número total de pessoas quanto o percentual também são recordes. Os dados do IBGE consideram, além de trabalhadores com carteira assinada, microempreendedores individuais, autônomos e trabalhadores por conta própria que fazem contribuições ao INSS.

Esses resultados, entretanto, são insuficientes para reverter o rombo histórico da Previdência no Brasil, que cresce a cada ano. A taxa de taxa de informalidade do mercado de trabalho brasileiro é de 37,7% da população ocupada e corresponde a 38,8 milhões de trabalhadores.

A parcela de informais tem caído nos últimos anos e era de 38,8% em novembro de 2024, mas o ritmo de queda não muda a tendência crescente de gastos previdenciários. Esses mesmos informais tendem a buscar um benefício assistencial quando ultrapassam os 60 anos, mesmo sem ter contribuído.

Além disso, o Brasil passa por um processo de envelhecimento populacional. Com isso, com o passar nos anos, menos pessoas contribuirão para o sistema previdenciário e o número de pessoas que recebem benefícios aumentará significativamente. Dessa forma, o rombo só aumentará se nada for feito. 

Realidade atual já é ruim
Se o prognóstico para o futuro é desafiador, o cenário atual já é bastante ruim. De janeiro a novembro de 2025, segundo dados do Tesouro, o rombo da Previdência era de R$ 328,3 bilhões. O resultado decorre de R$ 625 bilhões em receitas e R$ 957 bilhões em despesas. Considerando dezembro, o gasto com benefícios previdenciários ultrapassara a marca de R$ 1 trilhão, mais um recorde para o Brasil.

Um dos principais fatores que eleva o déficit Previdência é a vinculação dos benefícios previdenciários ao salário mínimo, corrigido com aumento real por determinação legal. Em estudo recente, a Rio Bravo Investimentos estimou que para cada R$ 1 de aumento no salário mínimo, o impacto nas contas da Previdência é de pelo menos R$ 420 milhões. Especialistas em contas públicas defendem que é necessário acabar com essa vinculação.

Mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tem sinalizado disposição para enfrentar esse problema, que pode pressionar ainda mais as contas públicas. Em 2025, as despesas previdenciárias já representavam mais de 60% de tudo que era desembolsado pelo governo.

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Um debate sobre esse assunto é urgente para garantir que as gerações futuras ainda tenham direito a aposentadoria. Caso nada seja feito, o governo arrecadará apenas para pagar os benefícios previdenciários.

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