Após primeiro ano de desgastes, Hugo Motta vai atrás de protagonismo em 2026

O presidente da Câmara quer tentar construir uma marca de sua gestão e aposta em temas de apelo popular, como a proposta que acaba com a escala de trabalho 6x1

Publicidade
Carregando...

A chegada de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara dos Deputados, no início de 2025, se deu por um leque amplo de partidos, de diferentes espectros ideológicos. No desejo de atender às demandas de todos os seus apoiadores, ao longo de seu primeiro ano no posto, o jovem Motta foi acusado de estabelecer “falsas equivalências”. Acabou desagradando todos os lados em algum momento. Resultado: a Câmara terminou o ano com a imagem arranhada, e Motta avaliado negativamente pelos próprios pares e entre a população em geral.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

O deputado paraibano se viu diante de crises. Partidos de esquerda organizaram manifestações de rua que tiveram ele e a Câmara como alvos, acusados de patrocinar a anistia dos condenados pela tentativa de golpe de 2023. No segundo semestre, Motta teve sua autoridade desafiada quando um motim de parlamentares bolsonaristas ocupou por mais de 30 horas a cadeira da presidência.

À época, optou por não usar a força para acabar com o protesto e retomar o comando da casa. Já no fim do ano, a situação se repetiu, desta vez com o deputado suspenso Glauber Braga (PSOL-RJ). Só que Braga acabou retirado pela segurança. Motta, então, foi acusado de usar de dois pesos e duas medidas para resolver situações semelhantes. O mesmo aconteceu durante o vai-e-vem na tramitação de propostas de interesse do governo e da oposição. Ora ele era criticado por um lado, ora por outro. Chegou a ser chamado de “procrastinador de problemas” pelo líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ).

Os desgastes se refletiram nas pesquisas de opinião. Uma delas, da Quaest, ouviu deputados federais e mostrou que as menções positivas à gestão de Motta caíram de 68%, em junho, para 55% no fim do ano. As menções negativas, por seu turno, subiram de 6% para 13%. A queda na aprovação de Motta se deu, especialmente, entre os integrantes da bancada governista e entre os parlamentares considerados independentes.

Na condução das votações em plenário, também houve solavancos. Motta queria ter “limpado” a pauta em 2025 e expurgado temas capazes de gerar atrito e desgaste tanto com a oposição quanto com o governo. Não conseguiu. Na volta do recesso, em fevereiro, ele terá que enfrentar esses fantasmas. O primeiro deles é a PEC da Segurança, que conta com a resistência de governadores de oposição e tem grande chance de gerar embates acalorados neste ano eleitoral, uma vez que o tema, o principal na lista de preocupações dos brasileiros, tende a ganhar destaque nas campanhas.

Outra polêmica remanescente é a que envolve o chamado “PL Antifacção”, de autoria do governo, mas que foi bastante alterado na Câmara pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP), escolhido por Motta como relator – em mais um episódio que gerou desgaste, aliás, com o deputado sob críticas pesadas do governo e de deputados da base de apoio a Lula. Como foi alterada no Senado, a proposta terá que retornar à Câmara.

Assim que passar por esses desafios que restaram da agenda de 2025, o presidente da Câmara quer tentar construir finalmente uma marca de sua gestão. Ele aposta em temas com grande apelo popular. A primeira é a emenda à Constituição que estabelece o fim da escala de trabalho 6×1, prevista para entrar na pauta em fevereiro. Essa é uma proposta alinhavada com o governo e, por isso, pode ajudar na reaproximação de Motta com Lula, após os estresses na relação no ano passado. Por outro lado, a tendência é que o tema leve a novos desgastes com a oposição, que já se manifestou contra a mudança.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

A tentativa de se equilibrar e agradar todos os lados tende a ser, ainda, o principal desafio do deputado.

Tópicos relacionados:

reportagem

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay