Eleitores de Flávio Bolsonaro (PL) querem “virar a página” da eleição presidencial, segundo pesquisas qualitativas feitas nos últimos dias, depois da fuga do senador para os Estados Unidos. Os grupos foram conduzidos pela cientista política Esther Solano, que pesquisa o universo da direita, e os resultados foram divulgados pelo jornal Folha de S.Paulo.

Segundo o levantamento, a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) preocupa os apoiadores do senador, mas não se traduz em disposição para uma batalha judicial sem fim contra o resultado. Até os mais radicalizados consideraram “ridículo” que Flávio tenha se declarado presidente eleito ao chegar aos EUA.

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Ansiedade, não revolta

De acordo com os participantes, o clima entre os eleitores de Flávio não é de revolta generalizada, mas de ansiedade com as primeiras medidas do novo mandato de Lula e de expectativa sobre o que vem a seguir.

“Apareceram muito duas expressões nos grupos, que eram ‘vida que segue’ e ‘bola pra frente’”, afirma Solano. Segundo ela, os eleitores avaliam que não faz sentido Flávio tentar reverter o resultado e que agora é preciso esperar a próxima eleição, daqui a quatro anos.

“Light” e radicais

A pesquisa ouviu tanto apoiadores mais moderados quanto mais radicalizados. Entre os bolsonaristas “light”, predominou a avaliação de que Flávio foi mal no último debate, na TV Globo, e conduziu pior a campanha no segundo turno.

Os mais radicais ainda desconfiam de fraude, principalmente por causa da prorrogação do horário de votação. Muitos, porém, disseram não saber que o próprio PL também pediu a ampliação do horário nem que os votos registrados depois do fechamento normal das urnas foram poucos e incapazes de mudar o resultado. Ao receber essas informações, os eleitores menos radicais passaram a questionar a tese de fraude.

Apesar das diferenças, os dois grupos concordam que é preciso aceitar a derrota e seguir em frente.

Perseguição e investigações

Sobre a fuga, parte dos entrevistados enxerga a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que Flávio entregasse o passaporte como sinal de perseguição judicial. Ao mesmo tempo, admitem que o senador pode ter responsabilidade nos fatos investigados, como nos casos do Banco Master e do INSS, o que ajudaria a explicar a ida para os EUA.

Os eleitores também criticaram duramente o fato de Flávio continuar recebendo salário de senador sem exercer o mandato. “Apareceu muito forte a ideia de que se ele quer receber o salário, vai ter que vir aqui, vai ter que dar as caras, vai ter que trabalhar”, diz a pesquisadora.

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Da contestação ao recuo

Na primeira declaração depois da derrota, Flávio não reconheceu o resultado e disse que iria à Justiça. Depois, desistiu de pedir a anulação da eleição, mas, ao chegar aos Estados Unidos, publicou uma carta de teor golpista em que se declarou presidente eleito e, em seguida, “líder do Brasil”.

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