O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, deu prazo de 15 dias para a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar sobre o pedido da Polícia Federal (PF) para prorrogar por mais 90 dias o inquérito que apura o suposto financiamento da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), intitulada Dark Horse, pelo empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

No mesmo prazo, a PGR também deverá se manifestar sobre o relatório da PF que indiciou Vorcaro e outras 14 pessoas por suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). São procedimentos distintos, embora ambos tenham sido encaminhados à análise da Procuradoria.

A investigação sobre o financiamento do filme foi instaurada em 23 de julho e apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Entre os investigados estão o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Vorcaro teria repassado US$ 12,3 milhões, por meio da empresa Entre Investimentos e Participações, para financiar a produção.

A PF solicitou a prorrogação do inquérito por mais 90 dias para concluir diligências pendentes. Uma delas é a perícia contábil-financeira do Instituto Nacional de Criminalística (INC), que analisa a compatibilidade entre os gastos declarados pela produtora GoUP Entertainment, os contratos de câmbio e o fluxo dos US$ 12,3 milhões enviados pela Entre Investimentos e Participações ao Havengate Development Fund.

Outro ponto pendente é a cooperação jurídica internacional com os Estados Unidos para obter registros financeiros da GoUP Entertainment. Segundo a PF, a produtora se recusou a fornecer diretamente os documentos solicitados, alegando a necessidade de formalização do pedido por meio de cooperação internacional.

A corporação também informou que ainda analisa dados telemáticos do advogado Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, dono da Entre Investimentos e Participações. Mineiro firmou acordo de colaboração com a PGR, e sua delação foi homologada pelo ministro André Mendonça em 9 de setembro de 2026, no STF.

Caso Master

No relatório de indiciamento, a PF atribuiu a Vorcaro "participação pessoal, reiterada e diretiva" nas operações com carteiras de crédito irregulares do Banco Master que causaram prejuízos ao BRB. Segundo os investigadores, o prejuízo já apurado é de aproximadamente R$ 2,7 bilhões, conforme revelou reportagem da Agência Brasil. Vorcaro foi preso em março deste ano e está custodiado no presídio da Papudinha, no Distrito Federal.

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Embora André Mendonça seja o relator do caso, os autos permanecem na Presidência do STF, sob responsabilidade de Edson Fachin. Os procedimentos foram encaminhados à Presidência antes da sessão em que o plenário começou a discutir a possibilidade de uma investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. Até o momento, apenas o processo que apura os descontos ilegais em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi devolvido a Mendonça

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