Perfis bolsonaristas nas redes sociais passaram a tentar reduzir o peso da derrota do presidente Donald Trump, depois da vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. O argumento comum é que o partido de quem ocupa a Casa Branca costuma perder espaço nas midterms e que a imprensa estaria exagerando o tamanho do revés.
"Aos emocionados", escreveu o influenciador Filipe Trielli no X. Segundo ele, a imprensa vai tratar o resultado como "se fosse o fim do mundo para Trump", quando perder cadeiras nas eleições de meio de mandato seria "a regra, não a exceção". Trielli citou as derrotas de Barack Obama, que perdeu 63 deputados em 2010, de Bill Clinton, que perdeu 54 em 1994, e do próprio Trump, que perdeu 41 em 2018. Ele reconheceu que perder as duas Casas é "uma derrota importante", mas afirmou que o baque não foi "na dimensão que irão vender pra você".
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O perfil Tradutor de Direita seguiu a mesma linha. "Nos Estados Unidos, quase nenhum presidente no cargo ganha as eleições de meio de mandato", publicou. A página acusou a "grande mídia esquerdista" de transformar o resultado em uma "derrota esmagadora, quando na verdade é algo comum na vida política e democrática americana", e disse que, se o presidente fosse democrata, a cobertura seria menor.
"Honestidade intelectual"
A usuária Flavia Massena também reclamou da cobertura, mesmo dizendo criticar o republicano. "Eu critico Trump pra caramba, mas, pelo amor de Deus, um pouco de honestidade intelectual não faria mal a ninguém", escreveu. Ela citou as perdas de Clinton, Obama e Trump e lembrou que Joe Biden também perdeu cadeiras em 2022.
Em resposta a uma publicação do comentarista Leandro Ruschel, o perfil Erick Donald afirmou que as midterms "costumam penalizar o partido do presidente, muitas vezes tirando-lhe o controle de uma das Casas".
O que dizem os números
Os perfis têm razão em um ponto: o partido do presidente quase sempre perde espaço nas eleições de meio de mandato, e as perdas citadas por eles são reais. Também não é inédito que um presidente perca as duas Casas de uma vez; foi o que aconteceu com Clinton em 1994 e com George W. Bush em 2006.
O resultado de 2026, porém, tem particularidades. Os republicanos chegaram à eleição com 53 cadeiras no Senado e saíram com 44, enquanto os democratas chegaram a 54, contando dois independentes que votam com o partido. Na Câmara, os democratas já somavam 228 cadeiras na manhã desta quarta-feira (4/11), contra 139 dos republicanos, com dezenas de vagas ainda em apuração.
A derrota também alcançou estados considerados redutos republicanos e onde Trump venceu com folga em 2024. No Texas, o democrata James Talarico derrotou o procurador-geral Ken Paxton, aliado do presidente, e se tornou o primeiro democrata eleito senador pelo estado desde 1988. Segundo a Folhapress, o resultado surpreendeu até os democratas mais otimistas.
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O próprio Trump minimizou a derrota. Durante a apuração, afirmou que seu nome não estava nas cédulas e que, se estivesse, os republicanos teriam vencido "de lavada".
