Em entrevista ao "Globo", o presidente do PT e deputado federal eleito, Edinho Silva, declarou que a agremiação passará por mudanças profundas sob a orientação de Luiz Inácio Lula da Silva. O dirigente explicou que a legenda superará contradições internas administradas durante a disputa eleitoral. O objetivo definido é consolidar o partido como instrumento de luta da classe trabalhadora, rejeitando projetos pessoais.
Sobre a eleição de 2030, Edinho Silva afirmou que o sucessor de Lula surgirá espontaneamente caso a sigla permaneça forte e conectada às demandas populares: “O PT é o maior legado do presidente Lula. Se o partido estiver forte, organizado nacionalmente e em sintonia com os anseios do povo brasileiro, essa liderança vai emergir naturalmente.
Ele ressaltou o desempenho petista vitorioso no Nordeste com nomes como Camilo Santana, Rafael Fonteles e Rui Costa. Em São Paulo, destacou o resultado da capital, onde Lula alcançou 56% dos votos.
Leia Mais
-
PT aposta em Lula como símbolo da democracia e convoca militância
-
Edinho Silva, do PT: entre a defesa de um ‘Lula antissistema’ e a busca pelo Centrão
-
Lula foi alertado sobre resistência a Edinho para comando do partido
Mobilização e reformas no Congresso
O quarto mandato presidencial combinará articulação política com pressão popular para orientar a pauta do Congresso Nacional. O dirigente apontou prioridades legislativas:
-
reforma política eleitoral;
-
reforma do Judiciário;
-
aprofundamento da reforma da renda;
-
instituição de instrumentos de participação popular na governabilidade.
“Vamos governar com um amplo diálogo com o Congresso, mas também com muita mobilização social para disputar a agenda do Congresso. O Brasil precisa de uma agenda parlamentar de mudança, de reforma política eleitoral, de reforma do Judiciário, e de aprofundamento da reforma da renda. Precisamos mudar nossa forma de governabilidade, instituindo instrumentos de participação popular. Vai ser um fator para definir a agenda do país”, afirmou Silva.
Na avaliação do cenário político, Edinho Silva declarou que Flávio Bolsonaro representa uma demanda exclusiva da Justiça brasileira. As relações diplomáticas ficarão sob a responsabilidade do Itamaraty. O presidente partidário também criticou a postura de Donald Trump no período eleitoral e apontou interferência de grandes empresas de tecnologia.
“Foi muito ruim a posição do governo Trump durante o processo eleitoral, porque ficou nítida a interferência das big techs americanas. A postura do Trump (de falar de possível fraude nas eleições brasileiras) só reforça essa interferência. É muito ruim para as relações diplomáticas”, avaliou na entrevista.
No debate sobre as contas públicas, o dirigente relembrou a herança de um déficit de 2,6% e a elaboração de uma proposta orçamentária com superávit. Segundo o presidente da sigla, o Banco Central perdeu a oportunidade de diminuir os juros antes do conflito no Oriente Médio. Edinho conversou com Gabriel Galípolo sobre a meta de inflação e frisou que o ministro Dario Durigan reúne legitimidade para discutir a economia do governo.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Em relação aos pedidos de anistia para os presos do 8 de Janeiro, Edinho Silva afirmou que a postura atual rejeita qualquer concessão. A prioridade estabelecida consiste em preservar a base social ativa, impedindo a desmobilização verificada em 2022. Para estruturar essa atuação popular contínua, a Executiva do partido organizará reuniões com movimentos sociais.
